“É uma das maiores mudanças de paradigma do sistema financeiro”, diz Bruno Diniz sobre a criptoeconomia

Seu mais recente livro, que aborda o universo da criptoeconomia, teve pré-lançamento na semana passada

Por Ana Carolina Lahr

Desde o nascimento do setor financeiro tradicional – em 1406, com a fundação do Bando di San Giorgio, em Gênova, na Itália – passaram mais de 600 anos até a chegada da criptoeconomia, um movimento que em pouco tempo colocou o sistema já estabelecido para repensar seu modelo. 

A constatação foi um dos argumentos que levou o consultor global em inovação financeira, Bruno Diniz, a desenvolver a sua terceira obra literária, “A Era da Criptoeconomia”, que se propõe a mergulhar no universo do blockchain, criptoativos, NFTs, Real Digital (Drex), metaverso, inteligência artificial, Web3 e demais inovações financeiras emergentes. O pré-lançamento do livro aconteceu na semana passada, em palestra durante o webinar Blockchain Finance Brazil, realizado em parceria da Cantarino Brasileiro com o site Blocknews.

Assista a palestra na íntegra.

Diniz aproveitou o evento, que teve como tema central “a chegada das criptomoedas no sistema financeiro”, para trazer à audiência uma visão geral sobre o avanço da criptoeconomia no Brasil e no mundo, lançando também sua tese sobre o momento em que a sociedade vivenciará, de fato, a “virada de chave” para esse movimento, considerado por ele uma das maiores mudanças de paradigma do sistema financeiro. “Eu entendo que essa seja uma das maiores revoluções do sistema financeiro tradicional porque a gente tem que repensar a forma como o serviço financeiro é entregue e estruturado a partir desse novo viés. E esse é só o começo do que a gente pode fazer em cima disso”.

O consultor destacou que a discussão sobre a criptoeconomia se faz importante especialmente porque o mundo – e o Brasil, que tem se posicionado de forma pioneira nesse assunto em diversos aspectos – está perto de um um ponto de inflexão muito importante da utilização da tecnologia blockchain pelo mercado financeiro e pela sociedade. “Isso está muito perto de acontecer”, alerta.

No novo livro, ele sustenta a tese em teorias de consagrados estudiosos. Dentre elas está o gráfico evolutivo do sistema financeiro, de Matt Harris, que identifica três ondas revolucionárias importantes no ecossistema. A primeira delas, cujo ponto zero está datado em 1950, é a evolução da tecnologia. “Ela trata da digitalização das finanças, que é basicamente a transição do serviço financeiro analógico para o digital e dos seus diferentes produtos, quando a Diners Club lança o primeiro cartão de crédito”, exemplica Diniz. 

Nessa onda, a segunda data marcante é o ano de 1999. “Foi quando o PayPal pegou a infraestrutura da recém chegada internet e levou para o negócio possibilidades que a gente vê hoje, de mover dinheiro dentro desse mundo digital”. 

A segunda onda evolutiva traçada no gráfico destaca o momento de “incorporação das finanças”. “Ou seja, a gente sai do produto financeiro encapsulado, sendo vendido apenas por instituições financeiras que carregam rótulo, e ele passa a estar presente em diferentes mercados: empresas do varejo, de telefonia e diferentes setores começam a embutir serviços e produtos financeiros no portfólio”, reforça Diniz, lembrando que a onda foi discutida a fundo no seu segundo livro, A nova lógica financeira

Por fim, a partir de 2009 tem início a considerada “terceira onda”, na qual acontece a descentralização das finanças. “Ou Fintech 3.0, quando a gente tem os serviços financeiros migrando de instituições centralizadas ou de modelos de processos centralizados e entrando numa realidade baseada em DLT e blockchain, operando de modo auto executável, com mais eficiência e menos interação”, explica. 

“São três fases distintas que continuam reverberando como ondas de transformação que tem a introdução tecnologias de infraestruturas, novos modelos de negócio e, em muitos casos, também acompanhamento da regulamentação para permitir com que tudo isso aconteça”, reforça o consultor.

Era da criptoeconomia

Embora as três ondas continuem se propagando em movimento paralelo, a mais recente delas, chamada de “era da criptoecomia”, é a que, na opinião de Diniz, mais resultará em transformações para o mercado financeiro nas próximas décadas.

“O mercado financeiro tradicional durante muito tempo deixou de olhar para esse movimento, desacreditando na sua força. A gente viu o próprio Bitcoin várias vezes levantando e caindo, e outras redes surgindo. Mas isso foi ficando cada vez mais robusto e ganhando uma relevância no contexto da criptoeconomia, que é um termo que junta o conceito das criptografias, da computação, com o conceito relacionado ao incentivo econômico, colocando eles no mesmo sistema”, explica.

Diniz considera que o início do processo de convergência com o sistema financeiro tradicional esteja datado em 2024, “quando a gente começará a ver esse movimento se tornar uma realidade no dia a dia das pessoas”. 

A expectativa é que muito em breve “a chave seja virada”, e os benefícios da convergência passem a ser absorvidos por toda a sociedade. O especialista usa a Curva de Rogers para mostrar esse processo. “Quando a gente tem a introdução de uma nova infraestrutura e uma nova tecnologia, ela vai sendo adotada gradualmente. Começa em cima, com os inovadores, para depois se tornar mais popular. Para atingir os pragmáticos e mais céticos, é necessário um esforço adicional”. Ele cita, então, Geoffrey Moore e sua tese chamada “Atravessando o Abismo”, que mostra que para “pular” o abismo são necessários alguns fatores para que isso aconteça e traz como exemplo o recente fenômeno da inteligência artificial. “Ela está no background, acontecendo durante muitos anos, mas o que fez a ‘virada de chave’ dela pro mainstream de uma forma muito objetiva foi a chegada da IA generativa, com o Chat GPT”.

Catalizadores

Diniz lista no novo livro uma série de fatores que se combinam para promover o timing da “virada de chave” da criptoeconomia. “Porque inovação nada mais é do que timing. A gente tem uma combinação de fatores, com a coisa acontecendo na hora certa, de uma forma correta, depois de várias interações e alguns dos elementos que catalisam essa transformação”, avalia.

Dentre esses fatores ele cita: a tokenização, a evolução da regulação, as iniciativas de apoio e as moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs). “Essas últimas, talvez sejam um dos elementos mais fortes implementados e o Brasil está se movendo nessa direção de forma muito positiva”.  

Além disso, ele destaca que há várias empresas adentrando a criptoeconomia com apoio de empresas que são especializadas nisso. “Ou que eram exchanges inicialmente e começaram a ter uma atuação pra ajudar nessa transição, ou empresas que surgiram do zero com esse propósito, ou até mesmo empresas que eram do segmento de Banking as a Service e que decidiram fazer essa virada de chave e começam a oferecer produtos também pra fazer a conversão dentro da realidade cripto”. 

Nesse caminho, Diniz observa o movimento no qual a blockchain ocupa o back end da operação, enquanto na ponta do consumidor, a relação se dá com as instituições tradicionais. “Isso significa que muitas pessoas acabam consumindo sem nem mesmo saber que o estão, de fato, se relacionando com a blockchain, por exemplo”. 

Outra tendência são as transações de M&A entre o mercado financeiro tradicional e o cripto. “Está virando uma coisa só. Tem empresa de cripto tirando licença de instituição financeira, ao mesmo tempo em que observamos empresas do mercado tradicional se juntando a associações de cripto em importantes parcerias”, observa Diniz. 

Mais um elemento catalizador citado por ele é a regulação. “Ela é, na verdade, um pilar para todo esse desenvolvimento. Como o mercado financeiro exige um arcabouço regulatório, esse passo já está sendo dado no Brasil, que sai na frente no tema em relação a muitos países, inclusive os Estados Unidos que tem segurado muito nessa discussão”, observa.

Por fim, o especialista cita as iniciativas de apoio orientadas pelo setor público ou privado como a “cereja do bolo” nesse processo de disseminação da criptoeconomia. “O programa Lift Lab, do Banco Central, no qual você consegue trazer uma estrutura de apoio para que aconteçam testes, no formato Sandbox. “Com essas ações, quando tivermos o lançamento massificado do Drex no Brasil, já teremos várias vias de utilização testadas, o que vai fomentar ainda mais essa adoção”, pondera.

Embora os movimentos já sejam muito bem difundidos por aqueles diretamente envolvidos no mundo cripto, Diniz reforça que a conscientização coletiva ainda está por vir. “Como diz o autor de ficção William Gibson, ‘o futuro já chegou, só não está uniformemente distribuído’. Isso significa que, olhando de uma forma ampla, em diferentes partes do mundo temos muitos elementos básicos do mundo cripto que já foram apresentados. Só depende de uma conjunção de fatores para que isso de fato aconteça, de fato, na realidade brasileira. Por hora, a gente acompanha as oportunidades de tudo que surge a partir dessa desses avanços”, finaliza. 

Pré-lançamento

A terceira obra literária de Bruno Diniz, “A Era da Criptoeconomia” está disponível em ação de pré-venda. Aqueles que adquirirem o livro até 10/9 terão acesso a benefícios exclusivos, dentre eles: NFT especial comemorativa que funciona como uma chave para diversos benefícios; acesso à comunidade “O Novo Mercado Financeiro”, via NFT, para se conectar com mentes brilhantes e explorar tópicos como Open Finance, Embedded Finance, Finanças Descentralizadas (DeFi), Criptoativos, Metaverso e muito mais; e participação de um webinar exclusivo com o autor, no qual ele compartilhará insights valiosos sobre a criptoeconomia e as tendências do mercado financeiro. 

Além disso, os cem primeiros a adquirir o livro terão a chance de participar de uma sessão de mentoria coletiva diretamente com o autor. A compra pode ser feita pelo link.

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