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É possível usar a IA para acabar com o trânsito nas cidades brasileiras?

Qualquer morador das metrópoles brasileiras já ficou preso em um congestionamento, seja no carro, de carona, no ônibus, não importa. Em algum momento, todo mundo já precisou adiar compromissos, se atrasar ou faltar neles por causa de algum engarrafamento. Caos no trânsito não tem dia nem hora para acontecer. Para piorar, os órgãos de trânsito nem sempre sabem lidar com essa situação.

Segundo matéria da BBC, em 2015, havia cerca de 1,3 bilhão de veículos motorizados em todo o mundo e, com o rápido crescimento das economias emergentes, esse número deve subir para mais de 2 bilhões até 2040. Mesmo com novas vias, esse volume cada vez maior de tráfego poderia exceder a capacidade de nossas redes rodoviárias, especialmente nas cidades.

Com tanta tecnologia disponível, será que é possível usar Inteligência Artificial para acabar com os engarrafamentos? Muitos acreditam que os carros autônomos podem ser a solução. Robôs são ensinados a dirigir e a reagir mais rápido que humanos. No entanto, deve demorar ao menos duas décadas antes da IA ter um impacto significativo no trânsito e planejadores urbanos terão de lidar com motoristas humanos, semiautônomos e autônomos.

Para o desenvolvedor João Neto, a IA pode ser utilizada para ensinar sobre o trânsito e informar sobre velocidades máximas e mínimas em determinadas vias, de acordo com horários específicos, além de ajudar a evitar o chamado efeito funil e permitir mais facilmente mudança de direção das vias etc.

“Só que sozinha a IA é totalmente inócua, porque isso depende de vontade e execução política. Então, por si só, a IA não pode acabar com engarrafamentos. Na prática, ter uma IA para acabar com engarrafamento sem ter a vontade política, é como ter um martelo sem ter um prego”, diz Neto.

Ele acredita que seria necessário ter, em todas as vias, sistemas de monitoramento, o que não ocorre atualmente em toda a cidade de São Paulo. Só com esses monitoramentos será  possível obter dados suficientes para que ferramentas de aprendizado de máquina possam estudar e aprender com essas informações.

Os sistemas de monitoramento, porém, demandam legislação, que exige vontade política do legislativo e do judiciário. “Então, apesar de sistemas de inteligência artificial poderem, sim, aprender sobre o trânsito e ajudar na tomada de decisões, existe toda uma outra máquina que precisa ser movida para que isso possa ser utilizado de fato”, disse João Neto, se referindo à máquina pública.

Ele deu como exemplo projetos de radares de trânsito que marcam a velocidade média entre 2 pontos, que ajudam a avaliar se o cidadão só diminui a velocidade quando se aproxima do radar. “Esse projeto ficou parado por muito tempo, porque não havia previsão legal”, pontuou o desenvolvedor. Ele resume o raciocínio com uma frase que explica bem a questão da “vontade política”: “O cidadão pode qualquer coisa desde não seja expressamente proibido por lei. Já o poder público só pode fazer o que estiver expressamente permitido em lei”.

Fonte: iMasters

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