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Drex avança o conhecimento do mercado sobre a criptoeconomia

Especialistas falaram sobre a necessidade do enforcement na regulação e a importância da educação do time interno na hora de desenvolver novos produtos e criar cases de sucesso

por Ana Carolina Lahr

A chegada da criptoeconomia é iminente e o avanço de discussões primordiais para seu estabelecimento, como a regulação dos criptoativos e a criação das Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs, na sigla em inglês), são cruciais para que isso aconteça. No âmbito nacional, o cenário inspirador desenhado pelo Banco Central, com o Drex, aquece o ecossistema financeiro brasileiro, cada vez mais empenhado em se preparar para esse momento.Esses foram alguns dos pontos levantados pelos especialistas que participaram do painel “O futuro das Finanças com Cripto” do Fórum Ativos Digitais: Como se Preparar para o Cenário a partir de 2024”,  realizado pela Cantarino Brasileiro e pelo Blocknews, no final de outubro passado
Ao lado da regulação, a tokenização foi eleita uma das grandes apostas para 2024. A conversa trouxe à tona também pontos como a importância da cultura digital brasileira no avanço desse cenário e a necessidade de ações voltadas à educação do público e dos próprios membros do mercado para garantir a chamada tokenização da economia.
“Não tem como a gente avançar sem a regulação. Mas, uma vez que a gente tenha passado da fase de validação do Drex e abra a plataforma para projetos de tokenização, esse será um ponto bem relevante em 2024”, avaliou Dayana Uhdre, procuradora do Paraná e estudiosa sobre o tema da tributação de intangíveis desde 2017.
Para Camyla Serpa, Digital Assets Manager do Itaú BBA, por mais que o Drex seja apenas um ponto de tudo o que está envolvido na criptoeconomia, é a porta de entrada para esse novo mundo. “Existe um grande potencial porque o regulador já está falando: ‘vai acontecer’. E quando o regulador fala, todos os demais vão concordar e começar a se preparar para isso”, enfatizou a executiva durante o fórum, que fez parte da Trilha Blockchain Finance Brazil.

“Com os avanços do Drex, o conhecimento vai se disseminar e quem está na ponta vai conseguir realmente identificar os cases de maior impacto na vida do cliente. Não acredito que será um movimento exagerado em 2024, mas será um período que se darão os primeiros passos mais sólidos, com resultados tangíveis. Uma visão muito mais de casos de sucesso já provados, do que uma massificação. Acho que a gente vai olhar para trás e pensar que 2024 foi um ano de grandes acontecimentos”, apostou.

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Regulação e enforcement

Além das expectativas em relação ao avanço da implantação do Drex, Daniel Steinberg, diretor jurídico da Bitso Brasil, apontou para dois fatores regulatórios importantes no âmbito nacional: “A regulação de stablecoins e de pagamentos transfronteiriços”. 
No cenário internacional, Steinberg destacou outros dois pontos que devem afetar o mercado global em 2024. “As decisões regulatórias dos Estados Unidos, sobretudo sobre ETFs spot (de cripto), e eficácia da Mica (a regulamentação europeia de ativos digitais). Ela começa a valer em dezembro de 2024, mas em julho os países poderão reduzir ou optar por um outro tipo de regime de transição e aí a gente pode ter um indicativo de quais países vão, de fato, aderir a ela. Vai ser um bom medidor do apetite de risco dos países envolvidos”, ponderou.
Além da importância da regulação no avanço da tokenização, Uhdre salientou a importância da aplicação da regulação, o enforcement. “Quando falo de enforcement, é mais uma ideia de efetividade regulatória de aplicabilidade efetiva, e não no termo literal do juridiquês. Entra, obviamente, o monitoramento. Mas, antes disso, para monitorar tenho que entender e identificar quem podem ser as fontes de acesso regulatório”.
A procuradora destacou que as estratégias para garantir o funcionamento da regulação estão diretamente relacionadas à definição de quem e como serão aplicadas. E elogiou a estratégia adotada pelo BC no Brasil.

 “Nós temos esses intermediários, que são esses prestadores de serviço. E eles vão ser fundamentais. A estratégia regulatória de diálogo que a gente tem no Brasil me parece essencial, afinal de contas, são eles que vão ser os olhos e a aplicação dessa legislação”.

Apesar disso, admitiu que o crescimento das Finanças Descentralizadas (Defi) traz questionamentos. “Minha preocupação é a longo prazo. Quando a gente pensa em um ambiente de descentralização com outros atores, sem intermediários, acredito que serão necessárias outras estratégias. Talvez seja necessário pensar no ‘compliance by design’, ou seja, modelar a tecnologia já com a regulação? São provocações para os próximos capítulos”.

Novos mercados

Sergio Yamani, diretor de inovação e serviços profissionais da 7COMm, observou que o avanço acelerado da regulação no Brasil é um dos motivos para que o mercado nacional esteja tão agitado. 

“Muitas empresas de procedimento financeiro querem entender o Drex, como vai funcionar a plataforma, principalmente a parte de liquidação dos ativos financeiros, e que modelos de negócios novos conseguem implementar”, revelou, com base na sua experiência no mercado.

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De olho nesse movimento, ressaltou uma das oportunidades que surgem. “Uma economia tokenizada implica na existência não só das criptos, mas de cada empresa gerando seu modelo de negócio, lançando um token novo que tem algum valor. Com isso, mais casos de uso vão aparecer. Não apenas dos bancos, afinal, o mercado financeiro não está somente neles hoje, mas em qualquer lugar”.
Embora os outros países estejam olhando para o Brasil como um grande hub graças ao avanço na questão regulatória, a Digital Assets Manager do Itaú BBA propôs um novo olhar para o avanço da criptoeconomia. “Uma das percepções que me trazem um otimismo muito grande para 2024 é o quanto a gente está avançado, não só em regulamentação, mas no comportamento das pessoas. Muitos países podem enfrentar a dificuldade dos hábitos da população, mesmo avançando na regulação em relação ao pagamento digital, confiabilidade no QR Code, etc. No Brasil, a gente já passou por esse obstáculo há muito tempo e isso vai trazer uma velocidade muito grande para a gente realmente continuar se destacando lá fora”. 
Serpa reforçou que os comportamentos digitais são uma amostra do que vai vir a ser a criptoeconomia e, por isso, conhecer o cliente é o primeiro passo para que as empresas possam evoluir no desenvolvimento dos novos produtos.
“Um segundo ponto, que é um desafio muito interessante para grandes empresas, é a educação. Não só a educação externa, dos clientes, por que acho que isso já está muito pacificado para todo o mundo, mas uma educação interna também. Como todas as áreas podem entender mais sobre esse potencial de tokenização, de Drex e de criptoconomia? Como nossas lideranças vão conhecer e fazer o link entre o tradicional e essa nova economia digital que está surgindo?”. A executiva lembrou que para explicar o que é o real digital, é preciso passar pelos conceitos de tokenização e blockchain, aprofundando o processo educacional
Em uma visão macro, Dayana apontou o momento como parte de um processo já vivenciado na ocasião da digitalização da economia. “São movimentos muito importantes e significativos mas, daqui a pouco, não vai interessar se é na blockchain. O que buscaremos serão casos de uso de sucesso, mais baratos. Quanto mais aparecerem, mais teremos adesão e mais apresentaremos sua potencialidade para a grande população”, finalizou.

Concorrência

Outro movimento aguardado com o estabelecimento da criptoeconomia é o aumento da concorrência. No entanto, a exemplo do que aconteceu com o sistema financeiro na época da instituição do marco legal das instituições de pagamento no Brasil, junto chega o estímulo à inovação e à eficiência.

“Tivemos uma aprendizagem institucional em relação aos clientes da criptoeconomia no passado. Com a chegada da plataforma do Drex, esperamos muito as possibilidades de bridge (pontes entre blockchains diferentes) com outras plataformas. Isso, claro, têm as suas dificuldades, inclusive jurídicas, portanto, será uma atuação complementar”, opinou o diretor jurídico da Bitso.

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Para Serpa, a competição em si, ainda não chegou. “Nesses próximos anos, acho que não vamos acelerar especificamente a competição. A criptoeconomia é muito diversa e o que a vemos de forma mais positiva, principalmente com a regulamentação, é a atração de players que de fato querem prover o melhor serviço possível para o cliente, seja com pontos específicos de governança, de políticas de combate à lavagem de dinheiro, de realmente ofertar o produto certo para o cliente. É isso que vai diferenciar cada um dos pesos do Brasil, finalizou.

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