Por Edilma Rodrigues
O Comitê das favelas via Presidente de Rua iniciou ações para combater a disseminação do novo coronavírus na comunidade de Paraisópolis há um mês. As diversas iniciativas foram postas em prática por meio de doações de pessoas físicas e alguns crowdfundings. No entanto, o engajamento das pessoas e, consequentemente as doações, diminuiu após as duas primeiras semanas de campanha e os 100 mil moradores de Paraisópolis pedem socorro!
O coordenador do G10 das Favelas e líder comunitário de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, salienta: “Faz um mês que iniciamos o trabalho do Comitê das favelas via Presidente de Rua. Passado as duas primeiras semanas, percebemos que o engajamento das pessoas para doar diminuiu. Mas, o trabalho precisa continuar. E crescer não só em Paraisópolis, mas nas comunidades do G10. São nove frentes de atuação.”
Frente 1: ação de voluntários “Presidentes de Rua”
Organização com atuação de voluntários, chamados “presidentes de rua”, que são responsáveis por atender 50 casas, cada. O voluntário cuida dos vizinhos, orienta e comunica as necessidades das famílias que atende, além de explicar sobre os serviços que são oferecidos de enfrentamento à covid-19 pelo comitê da favela.
Frente 2: produção e distribuição de marmitas
Produção de cerca de 3 mil marmitas por dia pela equipe do bistrô Mãos de Maria, responsável por cozinhar, montar e entregar das marmitas.
Frente 3: ambulâncias 24h.
Duas ambulâncias e uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estão disponíveis para uso da comunidade. Os atendimentos à população são feitos por sete profissionais da saúde.
Frente 4: distribuição de cestas e material de higiene
A distribuição de alimentos e kits de higiene é feita periodicamente pelos voluntários, de acordo com as necessidades das famílias atendidas.
Frente 5: adote uma diarista
Ação que apoia profissionais que foram dispensadas de seus trabalhos devido ao novo coronavírus. Paraisópolis tem 1.031 mulheres cadastradas por essa frente.
Frente 6: Costurando Sonhos \\ Home Office das Costureiras
Produção de máscaras feitas por profissionais do projeto costurando sonhos. Na segunda-feira (20), o Costurando Sonhos iniciou parceria com o IPEN – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – para desinfecção das máscaras produzidas na USP. A parceria deve esterilizar 1 milhão de máscaras.
Frente 7: Casa de Apoio a Moradores e enfrentamento à COVID-19
O Abrigo social é um espaço equipado para atender moradores com leves sintomas do novo coronavírus. Os pacientes serão acompanhados por profissionais em cuidados.
Frente 8: Socorristas
Treinamento de Brigadistas Civis para atendimento emergencial durante a pandemia em Paraisópolis. O objetivo da iniciativa, que irá capacitar 240 moradores da comunidade, é formar a primeira Brigada de Emergência de Primeiros Socorros de Paraisópolis para ajudar no combate ao novo Coronavírus.
Frente 9: Teleatendimento médico
O teleatendimento tira dúvidas sobre o covid-19 e orienta os moradores de Paraisópolis como proceder de acordo com os sintomas apresentados.
Além disso, nesta quinta-feira (23), o comitê vai usar pulverizadores agrícolas e drones em todas as ruas de Paraisópolis. “Iremos usar desinfetantes a base de cloro e outros produtos para higienização e limpeza das ruas,” conta Gilson Rodrigues.
Conforme noticiamos na semana passada, as duas casas de acolhimento estão prontas para receber os moradores que apresentam sintomas da doença, mas a data da abertura, que era para ser nesta semana, agora não tem mais data definida.