Executivos e especialistas discutem a intersecção entre regulação, usabilidade no varejo e infraestrutura de negócios para formatar evento referência no setor de pagamentos
Na sexta-feira (3), a Cantarino Brasileiro realizou a 1ª Câmara de Curadoria para o Fórum Payment Anyway, evento que será realizado no dia 19 de outubro no WTC Centro de Eventos. O encontro, que ocorreu no escritório do Regula BT, em São Paulo, reuniu lideranças de tecnologia, do setor bancário e do ecossistema cripto para debater os caminhos dos ativos digitais como meios de pagamento no Brasil, deixando de lado o debate puramente teórico para focar nas dores reais do mercado.
A realidade do varejo e o desafio das stablecoins
Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de simplificar a comunicação e focar na utilidade prática das novas tecnologias para o cliente final. Fernando Tassin, CEO do Regula BT, sintetizou o desafio com uma metáfora descontraída: “produto é igual piada: se tem que explicar, não é bom”, afirmou, em tom bem- humorado, mas com pés no chão. Trazer casos práticos ao debate seria a forma de fugir do tecniquês, segundo ele.
Entre o grupo de 20 especialistas presentes, foi consenso ainda a necessidade de tornar a comunicação clara e simplificada sobre o universo dos ativos digitais também entre os altos executivos financeiros, visto que o tema ainda não é amplamente explorado. “No final das contas, o que interessa para o cliente, lá na ponta, é a dor que foi resolvida e não como ela foi resolvida. E essa também deve ser a preocupação das lideranças”.
Gilberto Albuquerque, fundador e CEO da Kadmotek, lembrou a necessidade de integrar as diferentes realidades do país: “Temos que pensar na diversidade do nosso público: do cheque à stablecoin, porque muita gente ainda usa isso”. Keiji Sakai, fundador e CEO da Aquila, reforçou a complexidade do cenário ao apontar que é preciso “entender que o público é heterogêneo”.
Nesse viés, o distanciamento entre o desenvolvimento tecnológico e a adoção massiva pelo varejo tradicional também foi pauta. Sarah Kespee, CEO e Venture Builder da Syscapital, reforçou que já existem casos de uso práticos no âmbito do comércio popular – por exemplo, na 25 de março – que mostram uma demanda por liquidez mais rápida e menos fricção com o cliente no B2B. “Esse é o tipo de case que temos que mostrar para o mercado, pois prova que existe muita oportunidade de negócio na mesa”.
Apesar dessa demanda por eficiência, Erik Franco, head de Pagamentos da Koin, e que vem trilhando uma carreira exclusivamente no varejo, julga que há um claro gargalo de conhecimento, especialmente entre os profissionais financeiros do setor: “Talvez nem todos conheçam conceitos básicos sobre esse tema; daí o desafio de entender como chamar a atenção para o assunto e engajar os convidados”.
Para os curadores, essa desconexão afeta diretamente os players tradicionais de infraestrutura financeira. Carlos Akira, vice-presidente de Relações Institucionais da Pagos, destacou o ponto cego de algumas empresas tradicionais que ainda acham que as stablecoins não vão prejudicar seus negócios.
“O tema stablecoin ainda não entrou em circulação como deveria”, admite João Paulo Santos, fundador e CEO da NoxPay.
Para Ricardo Dantas, CEO da Foxbit, o caminho para o letramento começa com a identificação do nível de maturidade de cada empresa. “Vejo que essa é a maior contribuição que podemos dar ao público do Payment Anyway”.
Outro consenso na reunião foi a necessidade de explorar o potencial de negócios que existe em torno do tema, tornando-o, assim, atraente aos olhos do executivo financeiro.
Pensando em como aproximar o avanço dos Real World Assets (RWA) e dos tokens à evolução do mercado financeiro como um todo, João Paulo Aragão, Technical Director for Institutional Financial Clients (Capital Markets, Banking, Payments) da Ripple, pontuou, entre os possíveis temas a serem abordados, a correlação dos stablecoins com o ROI das empresas.
De olho no segmento de bancos médios e gestores, Paulo Sangali, head de Ativos Digitais da Núclea, destacou a necessidade de trazer os profissionais de assets e gestores de fundo para as discussões.
O peso da regulação e a união do ecossistema
O ambiente de conformidade e as novas exigências do Banco Central foram apontados como dores latentes para os empresários e até uma barreira para a entrada nesse mundo de oportunidades. Douglas Magalhães Júnior, CEO da Enfoque Informações Financeiras, alertou que “tem muito empresário que não sabe nem se está dentro da lei”. Como alternativa para mitigar essa insegurança, Thiago Amaral, sócio do Regula BT, sugeriu como caminho um debate para aproximar o mundo dos produtos ao regulatório.
O posicionamento do mercado diante das recentes decisões do regulador também demandou debates firmes. Evandro Caciano, head de Financial Service da Logcomex, sinalizou que, após as últimas semanas de restrições do Banco Central, a conversa de “bons amigos” mudou, sendo altamente necessário trazer o contraditório para os painéis para marcar posição de defesa. A proposta é criar debates calorosos entre visões opostas para mostrar o quanto o cenário real está difícil para os operadores.
Finalizando a discussão, Nathaly Diniz, CRO da Lumx, fez um chamado à união das empresas do setor para a proteção mútua e o crescimento sustentável: “Quem trabalha com cripto, sabe o que está acontecendo. Precisamos travar alguns embates como senso coletivo para proteger o ecossistema”.
Confira entrevistas excluisvas com alguns curadores
O que vem por aí?
As reflexões e provocações levantadas nesta primeira rodada mostram que as discussões para o Fórum Payment Anyway estão apenas começando. O futuro dos meios de pagamento envolve caminhos complexos, que serão ampliados nas próximas Câmaras de Curadoria, programadas até início de setembro.
Com o tema central “A próxima fronteira dos pagamentos: inteligência em movimento”, o Fórum Payment Anyway 2026 acontece no dia 19 de outubro no WTC Centro de Eventos. Os ingressos já estão disponíveis, no lote Early Bird, até 9 de agosto. Clique AQUI para garantir o seu!
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