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Descubra como o bitcoin passou de inimigo a cobiçado

Por Guto Schiavon*

Em 2008, no auge da crise dos bancos nos Estados Unidos, o bitcoin surgiu com potencial para abalar o sistema financeiro mundial. Sem intermediários para validar as transações de compra e venda ou regulamentações do Estado, esse avançado sistema de criptografia passou a irritar as instituições financeiras tradicionais e, por muito tempo, foi visto como vilão pelas corporações.

No entanto, desde 2010, a criptomoeda vivencia picos de valorização invejáveis — como em junho deste ano, quando cada unidade chegou a US$3.025,47. Desde então, a tecnologia vem conquistando até mesmo os bancos que passaram a se empenhar em desenvolver novos códigos para o sistema blockchain. Mas como o bitcoin passou de inimigo a cobiçado pelas instituições financeiras? Confira todos os detalhes dessa reviravolta!

Bitcoin e a resistência dos bancos

O surgimento do bitcoin e a disseminação da tecnologia como meio de pagamento alternativo sofreu forte resistência dos bancos, sobretudo em 2014, quando muitos governos proibiram a negociação da criptomoeda nas suas bolsas de valores.

O sistema financeiro mundial, até então controlado por instituições centralizadas e fortemente ligadas ao Estado, se contrapôs à nova tecnologia por motivos óbvios: a total liberdade para realizar transações bancárias e investir em produtos que fossem rentáveis aos indivíduos — e não aos bancos — significaria uma democratização da economia e a diminuição do poder hegemônico das instituições financeiras.

Afinal, a natureza descentralizada do bitcoin evita que entidades governamentais e bancárias atuem como terceiros na facilitação de transações entre indivíduos e organizações. Com o processo de eliminação de intermediários, o bitcoin cria um mercado livre e proporciona aos seus usuários muitas vantagens como o fim das taxas abusivas, além de agilidade e comodidade, já que todas as operações são feitas pela internet.

Entretanto, a relutância dos bancos em aceitar uma tecnologia de alcance inevitável na sociedade só poderia levar a dois caminhos: desacreditar o dinheiro digital — como foi feito por muito tempo — ou aderir ao sistema blockchain para otimizar custos e aumentar a velocidade das operações.

Como o bitcoin passou de inimigo a cobiçado

Vários fatores têm influenciado a adesão dos bancos à tecnologia bitcoin. Um dos principais motivos para essa mudança de postura das entidades financeiras está relacionado à regulamentação da criptomoeda por grandes economias como o Japão, que ocorreu no início do ano.

Além disso, como há muita especulação em relação aos bitcoins, cenários políticos instáveis como o dos Estados Unidos com a eleição de Trump influenciam na valorização da criptomoeda. Há um aumento da demanda por esses investimentos, que passam a ser vistos como seguros e estáveis.

Entretanto, o que mais motivou os bancos a se engajarem no desenvolvimento da nova tecnologia foi a possibilidade de cortar gastos e melhorar sua capacidade de oferecer serviços diferenciados.

Ao eliminar intermediários, os bancos diminuem as chances de fraude e facilitam os processos de auditoria. Como na blockchain não é possível modificar os registros de transações, a apuração de entidades como a Receita Federal ocorre de maneira mais ágil e completa.

No bitcoin, são os próprios usuários que, por meio de computadores, aprovam e validam as transações. Assim, os bancos reduzem seus dispêndios em processos operacionais.

Adesão do Brasil à blockchain

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, mais de US$1,4 bilhão já foi investido na tecnologia entre o fim de 2014 e o início de 2017, e 80% dos bancos do planeta devem iniciar projetos com ela em 2017.

No Brasil, três instituições financeiras já pertencem ao R3, consórcio privado formado por mais de 45 instituições que pesquisam e desenvolvem tecnologias aplicáveis ao sistema blockchain. Bradesco, Itaú Unibanco e B3 (ex BM&FBovespa) fazem parte desse grupo e têm relatado resultados favoráveis na negociação de ativos em redes privadas.

O Banco Central e o Banco Santander no Brasil também têm dado os primeiros passos na discussão do tema. Alguns eventos como maratonas de programação serão promovidos para o estudo da tecnologia bitcoin.

* Guto Schiavon é COO da FOXBIT, a maior corretora de bitcoins da América Latina. A Foxbit estará presente no Blockchain View, que acontece em 19 de outubro, em São Paulo.

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