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Criptomania em Hong Kong leva a cidade além dos bancos

Em meados da década de 1990, Johnson Leung iniciou sua carreira no transporte marítimo. No início dos anos 2000, foi para o mercado financeiro e agora administra uma startup de Hong Kong que visa melhorar como os navios porta-contêiner são reservados através da tecnologia blockchain.

Muitos em Hong Kong esperam que a cidade possa dar um salto semelhante. O hub bancário e de remessa, que vem se esforçando por anos para estimular a indústria doméstica de tecnologia, abraça a revolução da blockchain, à medida que procura novas fontes de crescimento.

Os céticos dizem que é uma aposta arriscada em uma tecnologia não comprovada. Mas um número cada vez maior de empresários de Hong Kong e decisores políticos estão convencidos de que o sistema de ledger online, que estrutura criptomoedas como o bitcoin, eventualmente vão remodelar tudo, desde serviços financeiros até cadeias de suprimentos. Dizem que a abordagem do laissez faire da cidade rumo à regulamentação, juntamente com sua experiência em finanças e logística, a torna um centro natural para startups de blockchain.

Não vejo por que Hong Kong não pode ser líder em tecnologia blockchain, avalia Leung, que co-fundou 300cubits.tech depois de mais de uma década no setor financeiro que incluiu ser analista de pesquisa da JPMorgan Chase & Co. e Jefferies Group LLC. É tão novo que não tem como qualquer país ter grande vantagem em relação a nós.

O governo de Hong Kong vem colocando recursos na tecnologia. A autoridade monetária da cidade está desenvolvendo sua própria moeda digital e testa blockchain para finanças comerciais, aplicações de hipotecas e rastreamento de cheques eletrônicos. O regulador de valores mobiliários de Hong Kong se uniu ao R3, consórcio global que desenvolve tecnologia blockchain para transações financeiras, ao mesmo tempo que um instituto de pesquisa, apoiado pelo governo, trabalha em um sistema baseado em blockchain para rastrear avaliações de propriedades, entre outras iniciativas. O Hong Kong Exchanges & Clearing Ltd., monopólio cambial negociado publicamente, planeja iniciar uma plataforma blockchain para empresas em estágio inicial e seus investidores, já no próximo ano. O Blockchain é uma prioridade muito alta para nós, explica Charles d\’Haussy, diretor de finanças da InvestHK, agência governamental de desenvolvimento econômico.

Isso não significa que Hong Kong dá carta branca à indústria. Este mês, a Comissão de Valores Mobiliários e Futuros da cidade disse aos investidores para ficarem atentos às fraudes nas ofertas iniciais de moedas – uma forma de angariação de fundos de criptomoeda – e avisou aos emissores da ICO que eles podem estar sujeitos às leis locais de valores mobiliários.

Temos que ter muito cuidado porque, se por um lado, incentivamos a inovação e os mercados livres, do outro, temos que cuidar dos nossos pequenos investidores, comentou Paul Chan, secretário financeiro de Hong Kong, em entrevista no dia 11 de setembro.

Ainda assim, a cidade está adotando uma abordagem mais suave em relação à regulamentação do que a China, que proibiu as ICOs neste mês e suspendeu a negociação doméstica de criptomoedas.

A proibição deve reforçar Hong Kong como um hub, que está sob o domínio chinês, mas opera seus próprios sistemas legais e regulatórios, de acordo com Aurelien Menant, diretor-presidente da Gatecoin, exchange de criptomoedas de Hong Kong. Apenas na semana passada, uma conferência de blockchain, organizada pela Bitkan, empresa chinesa de comércio de criptomoedas, foi transferida de Pequim para Hong Kong, em resposta à proibição da ICO.

“Tradicionalmente, Hong Kong tem sido baliza da liberdade econômica do mundo, e eu adoraria que continuasse assim no caso do bitcoin, das criptomoedas e das ICOs, disse Roger Ver, diretor executivo da Bitcoin.com, em um entrevista ao Bloomberg Television na conferência de Bitkan.

Construir um hub de blockchain sustentável em Hong Kong não será fácil. Muitas aplicações para a tecnologia, incluindo a proposta da Leung para criar tokens digitais para a indústria de navegação, ainda são amplamente teóricas. (Leung diz que seus tokens podem ser usados em conjunto com os chamados contratos inteligentes para reduzir o risco de inadimplência nos acordos de transporte marítimo).

Ao mesmo tempo, a concorrência para atrair empresas de blockchain mais promissoras é feroz. Cingapura, o maior rival regional de Hong Kong, está despejando recursos em fintechs locais, assim como outros centros financeiros, incluindo Dubai.

Além disso, Hong Kong não tem grande histórico em startups tecnológicas. Sua incubadora de negócios Cyberport é criticada como sendo um desenvolvimento habitacional disfarçado, enquanto muitos trabalhadores locais estão relutantes em deixar seus empregos seguros para empreendimentos mais arriscados. A cidade não tem nenhum unicórnio ou startup avaliados em US$ 1 bilhão ou mais, de acordo com a CBInsights.

Os otimistas dizem que a indústria de blockchain vai superar a financeira em pontos fortes de Hong Kong. Algumas startups ilustram isso: BitMEX, exchange de derivados de bitcoin; Bitspark, plataforma de remessa e a Kenetic Capital, empresa de investimento em blockchain.

Enquanto Hong Kong não publica estatísticas sobre o crescimento da indústria de blockchain, D\’Haussy, do InvestHK, avalia que entre 10 e 20 empresas devem arrecadar fundos por meio de ICOs na cidade nos próximos seis meses.

“Há uma hype, e em alguns casos existe angariação rápida de dinheiro com ICOs, afirma D\’Haussy. Mas o que estamos procurando construir aqui em Hong Kong é uma infraestrutura para negócios nova, para garantir que a tecnologia e as inovações continuem a ser um elemento chave para o crescimento do setor financeiro.

Fonte: Bloomberg

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