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Criptoeconomia institucional: um novo modelo para um novo século

Por Chris Berg, Sinclair Davidson e Jason Potts*

Enquanto a criptoeconomia já é um campo de pesquisa vibrante, o estudo da blockchain não deve ser deixado apenas para cientistas da computação e teóricos de games. A implantação da tecnologia blockchain levanta questões complexas em economia, políticas públicas, direito, sociologia e economia política. O que chamamos de criptoeconomia institucional parte de uma premissa simples: a blockchain não é apenas uma nova tecnologia de propósito geral, é uma nova tecnologia institucional.

Isso pode soar como uma distinção pedante, mas a diferença entre essas duas concepções é profunda. As tecnologias de propósito geral nos permitem fazer o que já fazemos melhor, mais rápido e mais barato. Os economistas entendem as tecnologias de propósito geral (como a potência do vapor ou o semicondutor) como grandes motores do crescimento econômico. Não há dúvida de que a blockchain é uma tecnologia de propósito geral, mas é muito mais que isso.

Em vez disso, a blockchain é um novo mecanismo para coordenar a atividade econômica e facilitar a cooperação entre os indivíduos. Ela abre novas oportunidades de intercâmbio, colaboração e construção de comunidades que anteriormente estavam fechadas devido aos altos custos de informações e das transações.

Pensamento antigo

Como uma nova tecnologia institucional, esperamos que as blockchains inquietem e transformem a atividade econômica e a organização social. A cripta economia institucional é uma nova estrutura analítica para estudar esse processo evolutivo.

Em primeira instância, acreditamos que a abordagem dos custos da transação de Oliver Williamson – que ganhou o Nobel em economia em 2009 – é o quadro teórico ideal para entender a blockchain. Williamson estava interessado, principalmente, em entender as decisões de fazer ou comprar que as empresas precisam tomar. É melhor comprar insumos no mercado ou produzi-los internamente? Essa escolha define os limites da empresa que, por sua vez, determina as estruturas de incentivo que os decisores enfrentavam.

Uma chave determinante dos limites da empresa é o oportunismo ou busca por interesses próprios com astúcia, como Williamson descreveu o comportamento humano. A combinação de oportunismo e especificidade de ativos (que se refere à facilidade com que um investimento pode ser revendido ou reaproveitado para outro uso) significou que um comportamento econômico complexo teve que ocorrer em grandes corporações. Isso, por sua vez, implicava na necessidade de investimentos de capital financeiro substanciais. Assim, vimos o domínio do capitalismo acionário nos séculos XIX e XX.

Novo paradigma

A blockchain quebra essa relação entre tamanho, oportunismo e especificidade de ativos. Ao eliminar substancialmente o oportunismo (isto é, ser uma tecnologia sem confiança), a blockchain permite que os ativos específicos sejam implantados em pequenas empresas, apoiadas não por grandes quantidades de capital financeiro, mas por grandes quantidades de capital humano. Isso permite que incentivos de mercado penetrem mais profundamente em estruturas corporativas que resolvem problemas de produção da equipe.

Para muitas indústrias, a blockchain redefinirá radicalmente os limites da empresa, permitindo que os indivíduos troquem seus talentos e habilidades em um ambiente desprovido de grandes negócios.

O eclipse da grande empresa pública foi previsto antes, é claro, mas desta vez acreditamos que essas previsões vão acontecer para muitos mercados, se não a maioria deles. O declínio do capitalismo de acionistas terá efeitos de ricochete em toda a economia e na própria sociedade. Isso colocará novas pressões sobre o emprego, a desigualdade, o poder político e o estado regulatório. Além de abrir grandes novas oportunidades. A estrutura de Williamson também pode nos ajudar a entender como a blockchain muda – e melhora – a provisão de seguros, de bens públicos e a provisão e proteção da identidade.

Costuma-se dizer que estamos no início de uma revolução blockchain. A criptoeconomia institucional oferece uma forma emocionante de entender quais características do antigo regime estamos prestes a perder e o que pode ocupar seu lugar.

* Chris Berg, Sinclair Davidson e Jason Potts fazem parte do time de pesquisa da RMIT Blockchain Innovation Hub em Melbourne, Austrália. A Universidade RMIT é conhecida por pesquisas aplicadas de ponta que envolvem negócios e tecnologia.

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