Cresce a importância dos pequenos estabelecimentos no acesso de desbancarizados a serviços financeiros

Cresce a importância dos pequenos estabelecimentos

Por Luís Fernando de Carvalho*

Com a Covid-19, os estabelecimentos de bairro ganharam relevância e os brasileiros passaram a valorizar novamente as compras perto de casa. Com isso, o pequeno comércio ganhou um novo oxigênio e terá uma importância ainda maior após a pandemia. 

Sendo assim, chegou o momento de otimizar esse cenário, investindo em formas de simplificar a oferta dos novos serviços e reconhecendo o papel essencial dos pequenos comércios que centralizam as vendas em milhares de áreas pelo Brasil afora. 

Segundo dados do Banco Central, o Brasil tem mais de 2,3 mil cidades sem bancos, o que significa que aproximadamente 17 milhões de brasileiros vivem longe do acesso prático a uma série de serviços oferecidos pelas agências. Paralelo a isso, é sempre importante destacar que, de acordo com pesquisas especializadas, cerca de 20% da população nacional ainda não possui qualquer conta bancária e, portanto, não podem utilizar de forma real os avanços e praticidades do mundo digital, como recargas diversas por meio do aplicativo do seu banco ou usar serviços que necessitam de cartão de crédito, como aplicativos de delivery, corrida, filmes, jogos etc.

Os estabelecimentos presentes nessas localidades hoje são verdadeiros centros de conveniência para a população, massificando a entrega de produtos que antes não estavam disponíveis para um enorme número de pessoas. Essas lojas têm aproveitado a oportunidade para se tornar o principal canal de acesso para um portfólio de serviços variados, sem a necessidade de usarem cartão de crédito e/ou firmar contratos de fidelidade, como recargas ou vouchers para uso de plataformas ou redes de serviços específicos – do streaming de música ao delivery de comida. 

Para quem sempre viveu longe das aplicações bancárias ou sistemas de débito on-line, essas soluções representam um caminho prático para ampliar e transformar o consumo, agregar valor ao comércio de bairro e ampliar a movimentação de dinheiro na economia local.

Já existem no mercado players que oferecem soluções completas e simples, que permitem aos lojistas se consolidarem perante os cidadãos como referências de acesso a serviços de todos os tipos e formatos. Com os avanços tecnológicos, essas empresas atualmente conseguem oferecer em um único equipamento diversos serviços, o que reduz os custos e otimiza os investimentos. 

É essa a realidade que temos de valorizar e trabalhar para ampliar. Afinal de contas, ao investir nos pequenos estabelecimentos, estamos impulsionando a qualidade de vida de milhões de cidadãos e, ao mesmo tempo, contribuindo para o sucesso e desenvolvimento de inúmeros negócios, nas mais diversas categorias.

Vale dizer, inclusive, que trabalhar para reforçar as opções à disposição dos lojistas tende a expandir as possibilidades existentes para outros grupos de prestadores de serviços regionais. De acordo com números do Governo Federal, os micros e pequenos negócios respondem por aproximadamente um terço do PIB brasileiro, contribuindo diretamente para a criação de empregos, ampliação da cadeia produtiva e fortalecimento local, entre outros benefícios. São esses empreendedores que também podem extrair valor da inovação das ferramentas de pagamento e transação digital.

Embora toda essa transformação esteja longe de ser uma tarefa simples, investir em tecnologia capaz de atender as demandas específicas da periferia e do interior do Brasil é uma oportunidade única e imperdível, que se abre ainda mais em meio às turbulências e problemas gerados pela crise do coronavírus. Ampliar o acesso dessas regiões ao consumo de serviços é uma forma de garantir maior volume de negócios, gerando ganhos para todos.

Além disso, chamar a atenção para os brasileiros que vivem longe dos grandes centros é importante para nos lembrar de que, apesar do avanço incontestável dos métodos de pagamento eletrônico e das aplicações de Internet Banking, ainda há muito a se fazer para garantir que essas possibilidades cheguem, de fato, aos quatro cantos do País.

Os meios para democratizar as transações digitais para todos já existem. Resta saber quais empresas saberão reconhecer e aproveitar hoje o potencial desse movimento para comemorar os resultados positivos no futuro.  

*Luís Fernando de Carvalho é diretor de marketing da RV Digital

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