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Banco Central divulga jornadas do Pix Automático

Por Ana Carolina Lahr

O Banco Central definiu na semana passada (4), a data de lançamento oficial do Pix Automático para outubro de 2024.A novidade ficou por conta do adiamento em seis meses, em relação ao primeiro anúncio, em junho deste ano. Um dia após a divulgação, Carlos Brandt, gerente de Gestão e Operação do Pix no Banco Central, trouxe em primeira mão aos convidados do Fórum Banking Anywhere, da Cantarino Brasileiro, detalhes das quatro jornadas que estão sendo desenhadas a fim de suprir as necessidades de todas as empresas que serão beneficiadas pelo produto. A complexidade do sistema é uma das justificativas para o adiamento.

“Um dos motivos para essa mudança são as próprias características do produto. Diferentemente do Pix normal, no qual as pessoas já começaram a transacionar com o simples aplicativo, para o Pix Automático acontecer todos os envolvidos precisam estar prontos: as pessoas, as empresas, os prestadores de serviços que vão apresentar todo necessário para a ativação do produto, assim como a infraestrutura do Banco Central”, justificou.

Outro motivo para a alteração do cronograma seria a carência de recursos humanos no Banco Central. “A gente coloca isso de forma pública, porque o problema é, sim, da instituição, não tenho dúvida nenhuma, mas é algo que, de certa forma, torna-se um problema da sociedade. A gente acredita muito que, tendo um Banco Central forte, a gente possa criar um sistema financeiro que promova impactos positivos para a sociedade”, argumentou Brandt.

Carlos Brandt apresenta pix automatico em evento da Cantarino Brasileiro
Carlos Brandt apresenta Pix automático em evento da Cantarino Brasileiro - Foto: @fernandomucci

Múltiplas jornadas

 

O Pix Automático é um produto que surgiu do amadurecimento do Pix, que embora bata recordes de operações mês após mês, ainda tem muito a ser explorado no campo da pessoa jurídica, ou seja, das empresas. “Hoje, quase 50% das empresas no país utilizam o Pix, e se a gente considerar os negócios não formalizados, esse percentual será bastante elevado. Com a chegada do Pix automático, a gente vai ver essa relação crescer ainda mais”, observou o gerente de operações. 

Na prática, a funcionalidade automática já existe para alguns prestadores de serviço, que desenvolveram suas próprias dinâmicas. O que o Banco Central fará, é padronizar minimamente a experiência para facilitar o entendimento pelas pessoas. 

No entanto, o trabalho não é simples. Além da complexidade de garantir uma infraestrutura sincronizada entre os envolvidos, o desafio vai ainda além, já que o Pix Automático tem como objetivo atender à qualquer tipo de empresa que precise de pagamentos recorrentes –  contas de água, luz e telefone; assinatura de serviços como internet, streaming, clubes e portais de notícias; mensalidades como escola, academia, condomínio e plano de saúde; e serviços financeiros, como parcelamento de seguro, de empréstimo e de consórcio, entre outros.

“Como a solução vai atingir múltiplos tipos de empresas, as necessidades também são múltiplas. Para que a gente ofereça um bom produto para todas essas empresas, precisamos de muita flexibilidade, principalmente na jornada de contratação. Se a gente faz um produto enrijecido, eventualmente vamos eliminar do jogo empresas que precisam de algo diferente que aquele produto não entrega. Então, a gente está criando múltiplas jornadas”, explicou o gerente de operações.

Atualmente, o BC trabalha em quatro jornadas específicas. Independentemente da multiplicidade de jornada de contratação, porém, o produto em si, é único, e a partir do momento que ele é ativado, ele não apresentará variações e as regras serão uniformes.

O produto está sendo desenhado com foco total na experiência do usuário, tanto do lado do pagador, quanto da empresa que está recebendo. “É muito importante que ela tenha ali uma coisa simplificada, intuitiva, estável e homogênea. Isso vai certamente facilitar bastante a adoção da proposta”, observou Brandt.

Apesar dos esforços para garantir uma infraestrutura de todas as partes, Brandt destacou que não vai haver obrigatoriedade de adesão dos prestadores de serviço e algumas decisões vão ficar para um momento posterior em razão da complexidade do produto. “A ideia é a gente já lançar alguma coisa que faça muito sentido agora, mas que pontos específicos fiquem para uma segunda versão, como é o caso da recorrência de retentativas, portabilidade, etc. Enfim, são pontos de melhoria que a gente coloca para outras versões dentro de uma agenda evolutiva do Pix automático”.

As quatro jornadas do Pix Automático

Jornada 1

Tem como objetivo atender à situação onde a pessoa contrata com a empresa fora do ecossistema do Pix, numa negociação bilateral. A empresa, de posse das informações do cliente, insere, por meio do seu prestador de serviço de pagamento, a proposta do Pix automático. Chega para o pagador uma notificação com a alternativa de acionar a tela de autorização nacional. A partir daí, aquela recorrência já fica ativada e o Pix automático vai ser utilizado nos pagamentos nas datas estabelecidas.

Nessa jornada, a pendência expira ao final do prazo de, no máximo, 30 dias do pedido de confirmação. Depois disso, o processo precisa ser refeito.

Simulação da Jornada 1
Simulação da Jornada 1 - Fonte: Banco Central

Jornada 2

Visa situações em que a empresa precisa oferecer uma dinâmica de pagamento que não precisa ativar imediatamente um serviço mas que, a partir do próximo mês, deve ser recorrente e automático. 

A contratação do serviço já escolhe o Pix automático e a empresa apresenta um QR Code para o cliente, que faz a leitura, ou usa o Pix copia e cola, para confirmar a autorização para ativação do Pix automático.

Simulação da Jornada 2
Simulação da Jornada 2- Fonte: Banco Central

Jornada 3

Ela também utiliza ali o QR Code mas contém, dentro dessa dinâmica de ativação do produto, um pagamento imediato e a autorização do Pix Automático. A jornada foi pensada para as situações nas quais a empresa ou o cliente quer ativar o serviço imediatamente. Apesar de serem duas operações, elas acontecem com um comando único.

Simulação da Jornada 3 - Fonte: Banco Central
Simulação da Jornada 3 - Fonte: Banco Central

Jornada 4 

A última jornada prevista descreve a situação na qual a empresa já tem um relacionamento com o seu cliente, com uma fatura de pagamento com QR Code para cobrança de pagamento mês a mês. A diferença é que, com a ativação, passará a apresentar a proposta alternativa de ativação do Pix Automático para pagamentos futuros.

Simulação da Jornada 4 - Fonte: Banco Central
Simulação da Jornada 4 - Fonte: Banco Central

Cronograma

 

De acordo com o cronograma oficial, a publicação do regulamento do Pix Automático e dos manuais para os participantes ocorrerá em dezembro. De janeiro a agosto de 2024, o sistema será desenvolvido. Os testes para homologar a ferramenta ocorrerão em agosto e setembro e o lançamento para o correntista, em outubro. “Até o final do ano, essas regras vão ser divulgadas”, reforçou. 

Para acelerar o desenvolvimento do Pix Automático, serão utilizadas tecnologias existentes no Pix tradicional e no open finance, e o processo de criação do mecanismo se dará de forma coletiva. “O Pix automático é coordenado pelo Banco Central, mas conta com a participação de todos os prestadores de serviço de pagamento, que representam mais de 800 instituições, mas também as empresas estão dentro desse processo de construção num diálogo direto para quais são suas dores e necessidades a serem incorporadas na especificação do produto, que deve sair em breve”, reforçou Brandt na apresentação. “Os esforços estão focados para chegar em um produto bacana, que realmente faça sentido para todo mundo. Por isso fica o convite para que todos se engajem e tragam ideias, visões e críticas. A gente precisa saber se está indo para o caminho certo ou se precisa fazer algum ajuste de rota”.

A segurança também está na pauta do Pix Automático.  “É algo que não tem início, meio e fim. A gente segue incorporando novos novos mecanismos, novas formas de evitar que as pessoas façam mau uso do instrumento que é tão interessante, democrático, acessível e inclusivo”, reforçou Brandt.

O que vem por aí

 

O Pix se junta com o open finance Brasil e com o Drex em uma visão complementar capaz de reunir um conjunto de soluções que preencha todas as lacunas do sistema financeiro nacional e que entregue aquilo que todos os agentes econômicos precisam, não importa de quem a gente esteja falando. “Nessa sinergia, ele tem um potencial enorme para trazer muitas soluções inovadoras e muita coisa está surgindo”, destacou Brandt já no final da apresentação, quando voltou a citar o Pix Internacional como parte da agenda evolutiva do Pix.

Outro ponto que já ganha a atenção do BC é a relação com os pontos de venda físicos. “Esse é um ponto que é importante que a gente considere, assim como um ponto crítico para aperfeiçoamento dessa experiência, ou seja, trazer novas dinâmicas, novas funcionalidades para aperfeiçoar essa experiência. Então, dentro da nossa agenda evolutiva, há a utilização de novas tecnologias de iniciação. Já existe um trabalho exploratório sobre isso onde as alternativas são mapeadas, mas não estão na trilha de produção ou de desenvolvimento nesse momento”, respondeu, quando questionado pela audiência. 

Ambas as iniciativas ainda se encontram em uma fase “exploratória premilinar”. 

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