Conheça 4 novos projetos com IA generativa das instituições financeiras do Brasil

Enquanto Google lança Bard em português, setor continua a mirar na experiência do cliente

Por Ana Carolina Lahr

A tão aguardada versão do Bard em português chegou ao Brasil há menos de uma semana, causando euforia no público, que aguardava desde fevereiro, a versão nacional da ferramenta de IA generativa do Google. A solução é hoje, de acordo com a mais recente pesquisa da Bain & Company sobre a adoção da inteligência artificial (IA), a segunda mais conhecida pelas empresas no quesito e disputa a audiência com o ChatGPT na busca por resultados no processo de integração da API aberta a outras soluções. Afinal, as vantagens de se largar na frente na corrida da IA são muito promissoras e o ecossistema financeiro já sabe disso há um tempo. Nesta matéria listamos quatro novos projetos movidos pela IA generativa no ecossistema divulgados na mídia.

Além do ranking das marcas mais lembradas quando o assunto é IA generativa aberta,  a pesquisa da Bain & Company mostrou que 60% das empresas entrevistadas – foram 600 nomes, de diversos setores e países – já criaram ou estão em processo de implementação de assistentes de codificação com resultados iniciais positivos. Mas, os benefícios da tecnologia não param por aí.

Segundo o relatório sobre Inteligência Artificial (IA) da Globant, lançado no mês passado,  54% das organizações de serviços financeiros com mais de 5 mil funcionários adotaram IA e 85% dos executivos de TI no setor bancário têm uma “estratégia clara” para adotar a tecnologia no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Além da codificação, no ecossistema financeiro já são observados casos de uso de IA em: gerenciamento de riscos, experiência dos clientes, extração de conteúdo do documento, mapeamento regulatório, tratamento de incidentes, análise e classificação de documentos, consultor financeiro virtual, geração de dados sintéticos para melhorar modelos financeiros.

A transversalidade da tecnologia já é uma realidade no Banco do Brasil, que segundo entrevista de Alexandre Duarte, gerente executivo de tecnologia, ao 18º Anuário Brasileiro de Bancos, tem projetos em andamento em diversas áreas –  pessoas, crédito, risco, recuperação de ativos (dívidas), tecnologia, secretaria executiva e clientes. (Leia matéria completa baixando a revista digital aqui)

No Bradesco, o caráter multidisciplinar da tecnologia também está sendo explorado ao máximo. Com o suporte do inovabra, seu ecossistema de inovação, o banco está trabalhando na exploração e análise do potencial da tecnologia, bem como os seus desafios, e na ampliação do conhecimento dos colaboradores de toda a organização sobre o tema. As iniciativas têm o objetivo de aprimorar a eficiência operacional e, no futuro, impactar positivamente o atendimento ao cliente.

A área de Pesquisa e Estudos Econômicos (DEPEC), por exemplo, tem usado há dois meses o ChatGPT como uma ferramenta complementar à leitura de textos oficiais produzidos pelo Banco Central – também contamos os detalhes desse projeto no 18º ABB. Por sua vez, a Bradesco Asset Management (BRAM), gestora de investimentos, tem pesquisado a geração de informações para tomada de decisão, que sejam geradas com o uso da IA generativa. A tecnologia também pretende contribuir com o setor agro, conforme você verá a seguir.

Para o head de inovação, Fernando Freitas, “além de integrar outras ações contínuas do Bradesco para se manter na vanguarda da inovação, os projetos relacionados à IA Generativa demonstram a agilidade do banco em capacitar os colaboradores, assim como testar e adotar tecnologias emergentes, a fim de aprimorar os processos internos e, consequentemente, a experiência dos nossos clientes”.

Alerta

Apesar da empolgação, a pesquisa da Globant destacou também as ressalvas frente à tecnologia, já que grande parte das empresas entrevistadas reforçaram a necessidade de se equilibrar a tecnologia emergente com regulamentações rígidas, mantendo a confiança do cliente. Ainda nesse quesito, 65% dos bancos concordam que a complexidade e os riscos associados ao manuseio de dados pessoais para projetos de Inteligência Artificial geralmente superam os benefícios da experiência proporcionada a ele.

Outra constatação mostra que, embora a qualidade e a disponibilidade dos dados sejam vitais para descobrir padrões no comportamento do cliente, aumentar a eficiência e reagir a possíveis problemas, as organizações precisam de ajuda para modernizar seus sistemas de TI. A transferência dos principais sistemas digitais de uma organização financeira para a nuvem é, segundo o documento, uma transformação significativa e necessária, embora ainda não seja explorada por todas as instituições. (O Panorama dos Bancos, da Cantarino Brasileiro, traz dados complementares a essa realidades nas instituições financeiras do Brasil)

Evolução

Não é de hoje que a inteligência artificial se tornou aliada das empresas da indústria financeira, que lidam com altos volumes de dados e a constante necessidade de melhorar e evoluir a experiência dos clientes. Mas, a chegada da IA generativa certamente acelerou a corrida pelos resultados.

Como esse movimento não para, listamos a seguir algumas das mais recentes novidades movidas pela IA generativa no ecossistema financeiro. Acompanhe!

Educação financeira para investidores (B3)

A empresa considerada uma das principais na oferta de infraestrutura de mercado financeiro do mundo anunciou durante a Febraban Tech que está desenvolvendo, em parceria com a Microsoft, uma ferramenta de inteligência artificial generativa cujo objetivo é capacitar o investidor para que ele esteja bem informado para tomar decisões em relação ao seu planejamento financeiro e patrimônio desde os primeiros passos na jornada dos investimentos.

Neste primeiro momento, a ferramenta trará um conteúdo focado nas necessidades de um investidor iniciante interessado no mercado de ações. A plataforma terá como fonte do conteúdo informações da própria B3, da CVM e de outros parceiros também engajados na agenda de educação financeira no país, que já são parceiros hoje no Hub de Educação, garantindo credibilidade ao conteúdo. Especialistas, professores e influenciadores digitais de educação financeira também participam da iniciativa “treinando” a ferramenta com conteúdos confiáveis.

Em fase final de testes, a plataforma estará disponível para o público em geral no Hub de Educação Financeira da B3 no próximo mês.

Soluções de crédito para todo o ecossistema agro (Bradesco)

Lançado no início de junho, o E-agro foi desenvolvido em parceria com o inovabra, ambiente de coinovação do Bradesco, e com a IBM. Na plataforma, toda a cadeia do agronegócio – clientes e não clientes do banco – tem disponível soluções de crédito para produção agrícola, pecuária, empréstimo pessoal, modalidades de seguros, além de oferta de produtos como máquinas e equipamentos, ferramentas de gestão agrícola e de sustentabilidade. Também é possível contratar a Cédula de Produto Rural (CPR) digital de forma totalmente on-line.

O marketplace nasce com parceiros que representam algumas das principais categorias do setor de máquinas agrícolas, como Massey Ferguson, Jacto, Stara, Valtra, Jan e Jumil; e a de insumos e implementos agrícolas, como Boa Safra, DSM | Tortuga, Neogen, Nitro e Latina Seeds, Cibra e KWS Sementes. A previsão é reunir mais de 50 parceiros na plataforma até o final deste ano e usar suas expertises para assegurar a veracidade e credibilidade do conteúdo absorvido pela tecnologia.

Crédito consignado nos EUA (OneBlinc/ Mintech)

Open Banking, Generative AI, Open Payroll, Big Data são temas que fazem parte da realidade da OneBlinc desde a sua criação, em 2018. Recentemente, a fintech fundada por executivos brasileiros nos Estados Unidos, firmou uma parceria com a Mintech, empresa global de big data focada na coleta e uso de dados alternativos, a fim de transformar o setor de crédito consignado nos Estados Unidos com o uso da inteligência artificial. A proposta é os dados obtidos por meio do uso de celulares pela Mintech, para treinar modelos de IA e, assim, entender melhor o ciclo de vida inteiro do cliente, melhorando a tomada de decisão, criando novos modelos de crédito e entregando recomendações para o cliente tornar sua vida financeira mais eficiente.

Salto de produtividade e personalização (Agibank)

Nos últimos meses, a inteligência artificial ajudou o banco digital a reduzir em 25% o churn e promete muito mais. Em breve, a capacidade da IA de processar e reconhecer sentimentos e interações vai aumentar sua habilidade em responder às necessidades dos clientes de forma contextualizada e personalizada através da consultora virtual – “Gi”-, além de permitir que ela dialogue sem a necessidade de fluxos pré-definidos e repetitivos.

Para o banco digital, não se trata apenas de vendas de novos produtos, mas também de fidelizar clientes, sendo capaz de identificar o comportamento de clientes que estão prestes a sair e, assim, segmentar as abordagens e as ofertas de acordo com o perfil e o momento de cada um. O modelo omnichannel do banco, no entanto, não deve ser substituído pela máquina, já que o banco vê o suporte humano como fundamental para estabelecer conexões emocionais e proporcionar uma experiência personalizada, principalmente na fase de onboarding dos clientes. Ou seja, a automação e a eficiência trazidas pelas tecnologias melhoram a experiência geral e dão ao banco capacidade de escala e eficiência com baixo custo de servir, enquanto o humano estende o olhar para a necessidade que é de cada um, é empático e diferenciado.

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