Regimes aduaneiros especiais e o programa OEA podem reduzir custos e aliviar o caixa, diz KPMG
O governo anunciou a liberação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para indústrias brasileiras afetadas pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O recurso dá fôlego no curto prazo, mas tem juros embutidos — ou seja, ajuda no capital de giro agora e pressiona o caixa adiante.
“O crédito vai dar um fôlego para as empresas se ajustarem à nova realidade. O custo de financiamento será repassado ao consumidor gradualmente, a produção terá que ser ajustada ao consumo e a margem das empresas será impactada”, analisa o sócio da KPMG, Carlos Ottoni.
Segundo o sócio, as empresas precisam agir em duas frentes: defender caixa e recuperar competitividade. A seguir, os cinco passos recomendados — mantendo a linha de atuação já conhecida, agora com orientações mais práticas para o público em geral.
1. Buscar novos mercados
Diversificar destinos reduz a dependência dos EUA e dilui riscos. Na prática, vale priorizar clientes/regiões onde a empresa já possua registros, certificações ou parceiros, acelerar prospecção via feiras e câmaras binacionais e adaptar rotulagem e padrões técnicos quando necessário.
2. Ampliar a eficiência operacional
Mapeie custos “porta a porta” (insumos, frete, armazenagem, seguros) e execute ações rápidas: renegociação com fornecedores e transportadoras, revisão de mix e de lotes de produção, redução de desperdícios e estoques, e digitalização de rotas e prazos para encurtar ciclos de pedido a entrega.
3. Buscar benefícios que aliviem o caixa
Além da nova linha pública de crédito, avalie antecipação de recebíveis, seguros de crédito à exportação, alongamento de prazos com a cadeia e uso de instrumentos de proteção cambial. A regra é simples: liquidez primeiro — preserve capital de giro para atravessar o período de ajuste.
4. Ampliar a eficiência tributária
Reforce o controle de créditos tributários (incluindo os ligados a exportações) e evite “dinheiro parado” por falhas de apuração. Planejamento tributário consistente — sem artifícios — reduz a carga efetiva e melhora a margem em um momento de preços pressionados.
Aderir a regimes aduaneiros especiais
Drawback e similares permitem suspender/isentar tributos sobre insumos destinados a produtos exportados, aliviando o fluxo de caixa até a realização da venda externa; e ao programa da O OEA (Operador Econômico Autorizado) que reconhece empresas com alto padrão de conformidade e segurança logística, oferecendo desembaraço mais ágil e previsível. Menos inspeções e filas significam menores custos logísticos e menor imobilização de estoque.
Além do crédito emergencial, o governo tem anunciado medidas de alívio de curto prazo (como diferimentos de tributos e compras públicas pontuais para escoar excedentes em setores sensíveis) e iniciativas de médio prazo (promoção comercial e diversificação de mercados; atuação em instâncias internacionais).
“São apoios relevantes, mas não substituem os ajustes internos das empresas. O crédito oficial ajuda a atravessar a turbulência, mas a recuperação virá do ganho de eficiência, do uso disciplinado de benefícios aduaneiros/tributários, do OEA para destravar a logística e da diversificação de mercados. Quem agir rápido preserva caixa, protege margem e mantém competitividade até que o ambiente externo volte a ser mais favorável”, finaliza.
O painel B2B do Fórum Payment Anyway 2025, que acontece em 20 de outubro de 2025, no WTC Centro de Eventos, em São Paulo, abordará esse cenário de desafios de caixa e competitividade das indústrias brasileiras. O fórum reunirá gestores e tomadores de decisão do setor B2B para debater tendências e soluções nos meios de pagamento, um campo essencial para empresas que precisam otimizar fluxos financeiros, reduzir custos transacionais e adaptar-se ao ambiente externo. Para saber mais sobre o evento, clique AQUI.