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Concessões de crédito rotativo atingem recorde de R$ 311 bilhões

Com juros médios em 449,4% ao ano governo estuda limitar emissão de cartões por pessoa para reter endividamento

As concessões de crédito rotativo no Brasil atingiram um novo recorde ao somar R$ 311 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, segundo dados oficiais divulgados pelo Banco Central (BC). O resultado representa um avanço expressivo frente aos R$ 266 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, aproximando o montante acumulado até o oitavo mês do total de R$ 403 bilhões contratado durante todo o ano de 2025.

O crédito rotativo é acionado automaticamente quando o consumidor realiza o pagamento parcial da fatura do cartão até a data do vencimento e opta por financiar o saldo devedor restante. A modalidade permanece como a linha de financiamento mais onerosa de todo o sistema financeiro nacional, registrando uma taxa média de juros de 449,4% ao ano para pessoas físicas no mês de agosto.

Endividamento das famílias e evolução das taxas

A expansão no volume contratado ocorre em um ambiente de elevado endividamento dos trabalhadores. Levantamentos do Banco Central indicavam que o país contava com cerca de 40 milhões de clientes com débitos ativos na modalidade rotativa logo no início do ano, período em que a taxa média de juros cobrada já figurava no patamar de 435,9% ao ano.

Apesar da entrada em vigor, em 2024, da regra que limita a cobrança acumulada de juros e encargos ao teto máximo de 100% do valor original da dívida — impedindo que o montante final ultrapasse o dobro do débito inicial —, as taxas anuais praticadas pelas instituições financeiras continuam no topo do mercado de crédito.

Discussão regulatória sobre limite de cartões por pessoa

Diante da escala alcançada pelo rotativo e do impacto no orçamento familiar, o governo federal passou a debater com a autoridade monetária medidas para conter a distribuição desimpedida de plástico no mercado. Entre as propostas em discussão na equipe econômica está o estabelecimento de um limite máximo na quantidade de cartões de crédito que podem ser emitidos para um mesmo CPF.

O objetivo das tratativas técnicas é coibir a concessão automática de linhas de crédito pré-aprovadas enviadas sem solicitação prévia do cliente, além de reduzir o risco de superendividamento contínuo gerado pelo acúmulo de faturas paralelas no comércio.

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