Como os caixas eletrônicos podem ajudar na construção de uma economia mais inclusiva

Como os caixas eletrônicos podem ajudar na construção de uma economia mais inclusiva

Por Elias Rogério da Silva*

Em um mundo cada vez mais conectado, não é preciso fazer muitos cálculos e análises para entender por que o Open Banking representa um avanço indiscutível para a consolidação de um mercado mais competitivo e interessante com ganhos para o mercado e para os clientes de todo o Brasil. Outro benefício, igualmente importante, é a possibilidade de tornar o sistema financeiro mais inclusivo, permitindo que cada vez mais pessoas possam ter acesso às inovações e oportunidades impulsionadas pela economia digital. 

Estamos falando da chance de tornar possível a inclusão dos cerca de 34 milhões de brasileiros que ainda hoje vivem sem conta bancária em nosso país, segundo dados do Instituto Locomotiva. Por meio da transformação e da maior abertura dos sistemas, temos uma oportunidade de evoluir em acesso ao crédito e ativação de uma série de fatores que certamente ajudarão a tornar nossa sociedade mais justa para todos. 

Para o sucesso dessa jornada, porém, é possível dizer de antemão que alguns componentes serão vitais para a indústria como um todo. Entre eles, sem dúvida, está o surgimento de uma nova geração de caixas eletrônicos e a expansão real das opções de autoatendimento disponível à população. 

Desenvolvidas com o que há de mais moderno em termos de tecnologia física e lógica, essas máquinas representam uma forma bastante prática de garantir que mais clientes tenham acesso a serviços que, antes, estariam inacessíveis para um enorme contingente de brasileiros. Temos de nos lembrar, por exemplo, que além do grande número de consumidores desbancarizados, também temos de oferecer soluções que simplifiquem a rotina de aproximadamente 40 milhões de pessoas que vivem sem conexão à internet (ou com precárias condições para navegação na web), segundo dados do IBGE. 

Vale salientar que garantir que mais gente tenha acesso a esse sistema inovador, aberto e digital é uma forma de ajudar a impulsionar a economia nacional como um todo. Pesquisas recentes estimam que o público distante dos bancos movimenta cerca de R$ 350 bilhões por ano, em compras no comércio local e investimento informal. Isso representa praticamente 8% do Produto Interno Bruto brasileiro. É muito. 

A boa notícia é que o número de brasileiros sem conta bancária vem diminuindo, e que o mundo Open tende a acelerar radicalmente esse movimento. No último ano, impulsionado pelo pagamento do auxílio emergencial, muita gente já pode entrar no mundo digital, e o desafio, a partir de agora, é possibilitar que esse acesso continue a crescer. 

É exatamente nesse ponto, novamente, que os caixas eletrônicos precisam ser encarados como um elemento essencial para o futuro do sistema de Open Finance no Brasil. Temos de entender que, para muitos, os terminais de autoatendimento serão a primeira – e talvez única – forma de contato com a digitalização dos serviços financeiros – e é preciso que essa porta seja ampla, agradável, prática e disponível. 

Em paralelo, é também relevante destacar que, com a pandemia, os ATMs estão desempenhando cada vez mais o papel das agências bancárias, com atendimento completo, personalizado e efetivo. Não se trata de uma oferta suplementar de suporte e, sim, de um canal de ampla abrangência, que permite aumentar a capilaridade da marca e a satisfação dos clientes. 

Com ATMs, teremos em breve todos os consumidores se identificando por biometria, reconhecimento facial ou pela leitura de um QR Code, em uma jornada cada vez mais segura e rápida, sem uso de cartão, sem senhas e, talvez, até sem tocar em qualquer botão. 

Outro fator que chama a atenção é que os caixas eletrônicos unem a digitalização dos serviços com a entrega do dinheiro em espécie (que ainda é a principal forma de pagamento em nosso país, sempre é bom ressaltar). São os ATMs, nesse caso, que permitem juntar o físico e o digital. E é fundamental que essa experiência seja a cada dia mais simples e funcional para que novos consumidores ainda possam, sim, começar suas jornadas de adoção da tecnologia. 

Essas são possibilidades que já estão disponíveis. Há, ainda, outras inúmeras possibilidades que a indústria certamente nos apresentará no futuro. O que está certo, porém, é que os ATMs podem – e devem – ser usados como um elemento inclusivo, que ajude as pessoas a ingressarem na nova economia digital. 

Se é nosso objetivo construir um ambiente mais colaborativo e justo, é fundamental que permitamos que todos os cidadãos tenham acesso à inovação. O caixa eletrônico é, nesse caso, um enorme vetor para garantir que mais clientes tenham a oportunidade de aplicarem, investirem e buscarem o melhor do serviço financeiro. Permitir que os consumidores possam ter alta tecnologia, inteligência e segurança nos terminais é uma medida que vai satisfazê-lo – e que vai trazer frutos para todos nós. Até porque não há futuro se não ajudarmos a sustentar nosso presente. 

* Elias Rogério da Silva é presidente da Diebold Nixdorf do Brasil 

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