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Como a FastPay está definindo o futuro do embedded finance

Em entrevista, Ender Batista, CTO da FastPay, detalha como a separação entre core transacional e camadas regulatórias garante agilidade e robustez em um mercado em constante transformação

A agilidade no lançamento de produtos financeiros tornou-se o novo divisor de águas em um mercado brasileiro cada vez mais pautado pelo embedded finance e pelas constantes atualizações regulatórias. No centro dessa transformação, a FastPay — que marcou presença como patrocinadora do 21° Prêmio Banking Transformation — vem consolidando seu modelo de plataforma “PAT as a Service” através de uma arquitetura que equilibra dois pilares frequentemente opostos: a estabilidade operacional e a flexibilidade customizável.

Para entender como a tecnologia sustenta essa entrega, conversamos com Ender Batista, CTO da FastPay. Nesta entrevista, o executivo analisa as tendências que devem moldar os meios de pagamento no Brasil, em que a diferenciação deixou de ser a simples emissão de um cartão para se tornar a capacidade de estruturar ecossistemas financeiros fluidos e inteligentes. Confira!

1. Como a arquitetura da plataforma PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) foi desenhada para garantir a robustez necessária a esses setores e, ao mesmo tempo, oferecer a flexibilidade que cada um exige?

Ender Batista: A arquitetura da FastPay foi concebida a partir de um princípio central: separar estabilidade operacional de regras regulatórias e de negócio. No núcleo da plataforma está um core transacional único, resiliente e de alta disponibilidade, responsável por autorização online, controle de saldos segregados, liquidação financeira e rastreabilidade completa das operações. Esse núcleo permanece estável mesmo diante de mudanças regulatórias ou de customizações específicas por cliente.

As camadas regulatórias e de parametrização são desacopladas desse core. Isso significa que adaptações ao novo PAT, como exigências de finalidade, segregação de recursos, controle de estabelecimentos habilitados e rastreabilidade, são tratadas em uma camada dedicada de compliance, com governança, auditoria e controles automatizados, sem impacto na performance ou escalabilidade da operação.

 Ao mesmo tempo, a plataforma permite parametrização granular de regras, como políticas de recarga, restrições por categoria, modelos de funding e critérios de bloqueio. Assim, diferentes emissores e arranjos operacionais podem operar sobre o mesmo backbone tecnológico, com regras específicas e controle regulatório preservado.

O resultado é um modelo que combina segurança, estabilidade e adaptabilidade, atributos fundamentais para o ambiente regulado do PAT.

2. No mercado de cartões, muitas soluções são padronizadas (o famoso “tamanho único”). O que a FastPay entrega em termos de personalização que permite aos clientes criarem produtos financeiros únicos e adequados às suas regras de negócio específicas?

EB: A FastPay trabalha com modelagem estrutural de produto, e não apenas com customizações superficiais.

A plataforma permite configurar regras operacionais de forma granular, abrangendo critérios de autorização por categoria ou comportamento transacional, gestão dinâmica de limites, estruturas híbridas entre pré-pago, crédito e consignado, além de regras próprias de parcelamento, cobrança e modelos de monetização.

Isso possibilita que emissores, varejistas e empresas desenhem produtos financeiros alinhados à sua estratégia, seja um cartão de benefício com lógica específica de uso, seja uma solução private label com mecanismos próprios de fidelização ou crédito.

Em vez de adaptar o negócio a um sistema padronizado, a FastPay estrutura o sistema para refletir o modelo operacional do cliente, mantendo governança regulatória e consistência técnica.

Ender Batista, CTO da FastPay.

3. Como a estrutura da FastPay consegue reduzir o tempo entre a concepção de um produto de cartão e o seu lançamento oficial no mercado, mantendo um time to market de qualidade?

EB: A redução do time to market é consequência direta da arquitetura modular da plataforma.

Como os módulos de emissão, autorização, liquidação, gestão de limites e integração com bandeiras já estão consolidados e integrados, o lançamento de produtos ocorre majoritariamente por parametrização, e não por desenvolvimento estrutural do zero.

Além disso, a FastPay opera com ambientes segregados de desenvolvimento, homologação e produção, processos formais de testes, trilhas de auditoria e integração prévia com parceiros do ecossistema.

Esse modelo permite acelerar ciclos de implementação sem comprometer segurança, qualidade técnica ou governança — aspectos críticos em operações financeiras.

4. Quais são os pilares tecnológicos ou operacionais que garantem que a FastPay mantenha altos níveis de disponibilidade e performance para grandes volumes de transações?

EB: A operação da FastPay está estruturada sobre quatro pilares fundamentais. O primeiro é uma infraestrutura em nuvem escalável, preparada para absorver variações significativas de volume transacional. O segundo é a existência de ambientes redundantes e planos formais de continuidade de negócios (BCP/DR), que asseguram resiliência operacional. O terceiro é o monitoramento contínuo com atuação preventiva e gestão ativa de incidentes. E o quarto é a conformidade com padrões internacionais de segurança, como PCI-DSS, garantindo a proteção de dados sensíveis.

Esses elementos são especialmente relevantes em momentos de alta concentração de transações, como datas de crédito de benefícios ou picos sazonais do varejo.

Em operações financeiras, alta disponibilidade não é diferencial, é premissa. O diferencial está na capacidade de manter estabilidade e performance consistentes mesmo em cenários de crescimento acelerado.

5. Na opinião de vocês, quais são as próximas tendências do setor de cartões e meios de pagamento no Brasil?

EB: O mercado brasileiro atravessa uma fase de amadurecimento regulatório combinada com expansão estratégica do embedded finance.

De um lado, a agenda do Banco Central do Brasil, com Open Finance, Pix e maior interoperabilidade, amplia a competição e aumenta a eficiência do sistema. De outro, empresas de varejo, serviços e plataformas digitais passaram a integrar produtos financeiros como parte central de sua estratégia de relacionamento e monetização.

Entre as tendências mais relevantes estão a expansão do embedded finance em escala, a convergência entre benefícios, crédito e meios de pagamento em produtos híbridos, o uso intensivo de dados para decisões em tempo real e a integração cada vez mais fluida entre diferentes trilhos de pagamento, como cartões e Pix.

Nesse cenário, a diferenciação deixa de estar na simples emissão de um cartão e passa a residir na capacidade de estruturar produtos flexíveis, sustentados por governança regulatória sólida, arquitetura tecnológica robusta e evolução contínua.

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