Comitê de Estabilidade Financeira aponta para resiliência da economia

Por Ana Carolina Lahr

O Banco Central divulgou nesta semana a ata da 53ª reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) – o órgão que estabelece diretrizes para a manutenção da estabilidade financeira e a prevenção da materialização do risco sistêmico. O encontro foi realizado nos dias 23 e 24 de maio e, dadas as condições atuais e as expectativas quanto ao cenário econômico, o Comef decidiu manter o valor do Adicional Contracíclico de Capital Principal relativo ao Brasil (ACCPBrasil) em 0% (zero por cento). 

Ao comparar o cenário macroeconômico mundial vivido no encontro anterior, que aconteceu em março, o comitê salientou que o sistema financeiro internacional experimentou “momentos de estresse relevante”, referindo-se à resolução de três bancos de porte médio nos EUA e questionamentos sobre a saúde financeira de um banco globalmente sistêmico (G-SIB) na Suíça. Tais acontecimentos geraram preocupações sobre a estabilidade financeira nos países avançados, com consequente aumento da aversão global ao risco e impactos sobre os preços de diversos ativos financeiros, segundo o documento. 

Ainda segundo o documento, os eventos de estresse no setor financeiro mostraram que há vulnerabilidades acumuladas tanto nos bancos quanto em instituições financeiras não bancárias que podem escalar para a materialização de crise financeira sistêmica.

O comitê avaliou que os eventos internacionais, aliados a condições financeiras mais restritivas, afetaram todo o mercado e seus efeitos ainda não se dissiparam, mas reforçou que segue acompanhando a evolução do mercado de crédito privado e está pronto para atuar em caso de disfuncionalidade. Além disso, admite que os preços dos ativos e o crescimento do crédito não representam preocupação no médio prazo, embora existam incertezas a serem acompanhadas. 

Apesar do cenário global prospectivo adverso e da permanência dos fatores de vulnerabilidade, o comitê afirma que até o momento as economias emergentes têm mostrado resiliência. O impacto mais severo continua sendo o observado no cenário de quebra de confiança no regime fiscal.

O Comef avalia que a exposição do SFN ao risco da taxa de câmbio é baixa e a dependência de funding externo é pequena. “A transparência, previsibilidade e credibilidade na condução das políticas monetária, fiscal e macroprudencial são essenciais para mitigar os riscos sistêmicos”, reforça. 

O Comef recomenda ainda que as instituições financeiras mantenham a prudência na política de gestão de crédito e de capital, uma vez que o crescimento do crédito desacelerou nas diversas modalidades, em especial na carteira de pessoas jurídicas e nas operações de maior risco junto às pessoas físicas.

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