Cinco motivos para usar o 3DS 2.0 na era do Pix

Cinco motivos para usar o 3DS 2.0 na era do Pix

Por Tadanori Saito* 

O 3DS 2.0 (3D Secure 2.0) foi lançado no mercado como uma solução de upgrade de autenticação com relação a seu antecessor, na promessa de trazer maior segurança, melhor usabilidade e maior taxa de conversão para lojistas. O protocolo foi criado pela EMVCo – comitê que engloba as maiores bandeiras do mundo, e foi implementada pelas principais bandeiras do mercado.

De fato, este novo protocolo de autenticação é uma versão que – além de ser bem mais eficiente – é focado nos compradores que desejam a melhor experiência de compras, maximizando as aprovações. Essencialmente, a autenticação de cartões continua sendo uma ferramenta importante para proteger o mercado da maior dor de cabeça para o varejo on-line: fraudes e chargebacks.

Uma pergunta frequente que nós nos fazemos nos últimos tempos: faz sentido implementar o 3DS 2.0 com a chegada do Pix?

O Pix, lançado no último mês de novembro, é uma plataforma do Banco Central que viabiliza pagamentos instantâneos, a qualquer momento, durante o ano inteiro. É um meio de pagamento com as características sempre sonhadas por lojistas: tende a ser mais barato que uma transação de cartão, o dinheiro estará disponível assim que o comprador pagar (questão de segundos) e, até então, não há possibilidade de chargeback. No Pix, o comprador e o vendedor podem negociar uma possível devolução de valor, mas não há um fluxo de disputa de chargeback definido de forma clara, assim como temos regulamentado no pagamento com o cartão de crédito e débito.

Elencamos abaixo cinco motivos para usar o 3DS 2.0, ainda com a entrada do Pix no mercado, já que ambas as soluções existem para complementar uma à outra e melhorar a dinâmica do setor:

•O cartão de crédito é um instrumento que viabiliza, literalmente, créditos para consumidores.

O uso do cartão de crédito por consumidores vai além da comodidade, mas sobretudo, é uma espécie de empréstimo mais barato para o dia a dia. Além de ter que pagar uma compra em até 30 dias (até o dia do fechamento da fatura), o cartão possibilita parcelamentos. Isso significa que o uso do cartão tende a não diminuir com a entrada do Pix. Consequentemente, a autenticação via 3DS 2.0 continua relevante para evitar fraudes no e-commerce.

•Cartão de crédito gera milhas

Muitos consumidores concentram seus pagamentos nestes instrumentos para acumular pontos em seus programas de fidelidade. Pode ser que futuramente surjam negócios que gerem milhas a partir dos pagamentos com Pix, mas este tema, até este momento, ainda é um mar inexplorado.

•O cartão tem abrangência internacional

O mercado de e-commerce atende tanto consumidores internos quanto fora do País. Os setores de turismo e hotelaria, por exemplo – cujos compradores usam cartões como instrumento de compras em moedas estrangeiras – continuarão com a necessidade de se proteger de fraudadores. O Banco Central tem a intenção de tornar o Pix robusto o suficiente para suportar transações internacionais, mas neste primeiro momento ainda não há esta possibilidade.

•O cartão de débito autenticado é protegido contra fraudes

O uso do 3DS 2.0 traz um conforto maior para o lojista em termos de fraudes, pois a questão de liability é regulamentada e isso protege o lojista. Em tese, o Pix também traria o mesmo nível de proteção, porém, as regulamentações estão sendo aprimoradas constantemente e ainda não atingiram uma estabilidade que dê segurança plena ao lojista. Desta forma, para segmentos com maior risco, recomenda-se seguir pelo caminho mais conservador, utilizando-se o 3DS 2.0.

•Cartões de crédito possuem limites mais flexíveis

Pelo menos no começo da operação, o Pix estabelecerá um limite no valor de transferência diária, de acordo com horário e o destino. Basicamente o valor máximo será baseado no valor que existe para a TED ou cartão de débito atualmente. Desta forma, para compras com um montante maior que o Pix permite, o cartão de crédito se torna ainda uma opção interessante. Quanto maior o valor de uma transação, o risco também é maior, portanto, a autenticação via 3DS 2.0 se torna muito importante como ferramenta de prevenção à fraude.

O advento do Pix não significa o fim ou a limitação do 3DS 2.0. Cada solução contempla um nicho diferente dos meios de pagamento sem contato, e ambas são complementares. Tanto uma quanto a outra prometem trazer uma dinâmica nunca atingida no setor – e todos saem ganhando

*Tadanori Saito é gerente de produtos da Braspag

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