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China quer liderar IA até 2025

Esqueça o xing-ling: a China não precisa mais copiar a tecnologia de outros países. Mais do que isso, os chineses têm a ambiciosa meta de ser o país mais avançado no campo da tecnologia de Inteligência Artificial até 2025. Quem diz isso é Felipe Zmoginski, fundador da Inovasia e ex-gerente de marketing do Baidu (o Google chinês) no Brasil.

“Hoje, quatro das 10 maiores empresas de tecnologia do mundo são chinesas e muita gente no Ocidente sequer sabe da existência delas”, diz Zmoginski. Além do dinheiro trazido pela primeira onda chinesa de modernização, baseada em empresas de hardware, a China também investe pesado em educação para liderar o campo da inteligência artificial.

A China lidera os três rankings (matemática, ciências e literatura) do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos – para comparação, o Brasil ocupa o 40º lugar) e forma cerca de um milhão de engenheiros por ano. O investimento funciona e a China foi o país que mais pediu registro de patentes em 2018 – 560 mil novas invenções são “made in China”.

Tudo isso é ajudado pelo investimento privado. As empresas de tecnologia chinesas investem cerca de 1% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento de inovações. “O juro negativo estimula investimento e não a rentabilidade financeira, em cenário oposto ao do Brasil”, completa Zmoginski. O plano do governo chinês para 2025 é ter 70% das suas exportações em produtos de alto valor agregado.

Zmogisnki comentou como algumas aplicações de inteligência artificial estão a todo vapor em terras chinesas. Durante uma das 15 viagens já realizadas para a China, ele conta que alugou uma casa sem chave. Para abrir a porta e entrar em casa, usava um aplicativo de QR code lido por celular.

Outro campo onde a IA está avançada é o de vestuário. Por meio da câmera do celular, um cliente pode usar um “provador virtual” e saber como determinada peça de roupa fica no corpo. E se a loja não tem o seu tamanho, um aplicativo avisa quando a peça estiver disponível na loja mais próxima da sua casa.

Mas para Zmogisnki, a grande revolução chinesa na IA virá no campo da saúde. Com a urbanização ocorrida nos anos 1980 e 1990, cerca de 800 milhões de chineses deixaram o campo rumo aos centros urbanos. Uma das maiores demandas chinesas é prover atendimento médico e serviços de saúde para um contingente populacional equivalente a quatro Brasis.

Com valor de mercado estimado em US$ 6 bilhões, a We Doctor é uma startup chinesa de serviços de saúde. A ambição da empresa é ser a Amazon dos serviços médicos. O uso de IA serve para coletar dados, avaliar sintomas, imagens e ajudar a gerenciar clínicas físicas – “é uma forma de baratear o acesso a serviços médicos, uma vez que a mão-de-obra desses profissionais ainda é muito cara para a maioria dos chineses”, diz Zmogisnki.

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