Banco de Brasília afirma ter solidez financeira para suportar crise e estuda se desfazer de carteiras ligadas à instituição liquidada
O Banco de Brasília (BRB) descartou oficialmente qualquer risco de sofrer uma intervenção do Banco Central, após rumores de mercado apontarem para uma suposta fragilidade financeira da instituição. Em comunicado divulgado nesta semana, o banco estatal reafirmou possuir “suficiência patrimonial” para enfrentar os desdobramentos da crise envolvendo o Banco Master e informou que estuda a venda de ativos ligados ao conglomerado para recompor seu capital.
A manifestação da diretoria ocorre em resposta às especulações geradas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga fraudes na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB. Segundo a instituição, números extraoficiais que circulam no mercado são “meramente especulativos” e não refletem a realidade contábil do banco, que continua operando com estabilidade e atendendo seus clientes normalmente.
Estratégia de desinvestimento
Para mitigar os impactos de sua exposição ao Banco Master — que teve sua liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025 —, o BRB traçou um plano estratégico que inclui a alienação de ativos. O foco está na venda de carteiras de crédito e outros títulos financeiros vinculados ao grupo liquidado.
O portal Agência Brasil divulgou que, segundo fontes próximas às negociações, o banco já estaria em conversas avançadas com grandes players do setor, como Itaú e Bradesco, para a cessão de uma carteira de crédito avaliada em quase R$ 1 bilhão. O objetivo é transformar esses ativos em liquidez imediata, fortalecendo o balanço sem a necessidade de um aporte urgente de recursos por parte do Governo do Distrito Federal (GDF).
Entenda o caso
A tensão no mercado aumentou após a recente liquidação da Will Financeira, braço digital do Banco Master, decretada pelo BC nesta quarta-feira (21) por insolvência. O BRB possuía cerca de R$ 1,75 bilhão em ativos ligados à fintech.
As investigações apontam que o Banco Master teria vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito “podres” (sem lastro real ou de difícil recuperação) para o banco de Brasília. Em meio ao turbilhão, a Mastercard chegou a executar garantias por inadimplência da Will Financeira, tornando-se temporariamente acionista minoritária do BRB, o que adicionou mais complexidade ao cenário jurídico e financeiro da estatal.