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Brasileiros ainda usam a poupança, mas cenário de investimentos está mais agressivo, com elevação dos prêmios

Para muitos brasileiros, as modalidades de investimentos ainda parecem uma sopa de letrinhas: CDB, RDB, LCI, LCA, LC e por aí vai. Segundo especialistas, por aqui, ainda falta às pessoas maturidade sobre o tema, mesmo assim, a queda da Selic a menos da metade, a perda dos fundos de previdência e a busca por mais rentabilidade provocam escalada de prêmio. Algumas financeiras e bancos pagam até 130% do CDI e há alguma mudança de mentalidade também. Mas, segundo o CEO do PoupaBrasil Investimentos, Claudio Ferro, ainda há muito dinheiro investido na poupança e os depósitos aumentaram ainda mais com a disponibilização dos valores das contas inativas do FGTS, no ano passado.

“Outra utilização frequente é a conta corrente remunerada, que rende em torno de 5% do CDI. Esse tipo de conta é bom para o banco, que zera o compulsório, mas remunera em centavos o correntista. O brasileiro ainda não tem uma cultura de poupar, diferentemente de países europeus e asiáticos. No Brasil, a cultura é do consumo, mesmo que por meio de parcelamento,” explica. Entre as informações que precisam ser disseminadas e esclarecidas no País, segundo Ferro, está o teto de R$ 250 mil que é salvaguardado pelo fundo garantidor e a elucidação do que é renda fixa.

Cenário de investimentos

Além da escalada de prêmios, muito por conta da queda da Selic, que vem caindo e está em 6,75%, desde a última quarta-feira (7), e de investidores mais agressivos, que procuram títulos com mais risco, como fundos, bolsas, houve perda dos fundos de previdência, assinala Ferro, devido às taxas de administração e de carregamento altas, em torno de 2,5%.

A renda fixa se mantém como porto seguro, com prêmio adicional que cobre o movimento de inflação, mas há demanda por títulos pré-fixados. Tanto que a próxima aposta do PoupaBrasil é lançar LCs – letras de câmbio. “Sentimos que há demanda para taxas pré-fixadas,” explica Ferro.

A entrada de fintechs oxigenaram o setor nos últimos anos. Startups de investimento coletivo, de crowdfounding de investimento, de busca de opções mais rentáveis etc. também modifica o cenário. Além disso, muitas instituições financeiras menores apostaram em nichos específicos para ter um lugar ao sol. É o caso da Omni, que vende carros usados, normalmente acima de dez anos e de menor valor e da Estrela Mineira, do grupo Zema, que se especializou nos segmentos varejista, combustíveis, concessionárias e consórcio.

Instituições se unem para oferecer mais rentabilidade e estimam dobrar o número de clientes em 2018

Há dois anos em operação, o PoupaBrasil Investimentos surgiu de uma iniciativa de nove associadas da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento, entidade que reúne mais de 60 instituições financeiras. A empresa trabalha com títulos de renda fixa e sua plataforma funciona apenas como facilitadora. O dinheiro é enviado diretamente para as instituições, não passa por ela. A plataforma simulações e compara os rendimentos com a poupança e os grandes bancos.

Após o cadastro aprovado, o cliente escolhe um prazo, até quatro anos, e faz a aplicação, que varia de R$ 1 mil a R$ 150 mil, para não correr o risco de ultrapassar o teto de cobertura do fundo garantidor. Caso a quantia seja maior, ela é dividida em mais instituições. “Tudo é on-line, sem tarifas, sem taxas de custódia e com rendimento acima do mercado,” assegura o CEO. Os nove associados da startup cobrem os custos administrativos.

O prêmio dos investimentos na plataforma são: para 180 dias, 107% do CDI; um ano, 114%; dois anos, 116%; três anos, 118% e quatro anos, 120%.

O Poupa Brasil conta, atualmente, com 12 mil clientes e depósitos de R$ 120 milhões, média de R$ 10 mil por investimento. O prazo médio gira em torno de três anos. A maioria é homem (75%) e a renda está entre oito e nove mil reais. “Ainda não atingimos o púbico da poupança. Esse é o nosso desafio. Queremos dobrar o número de clientes até o fim do ano,” projeta o CEO.

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