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Brasil e China: em um relacionamento sério

Há quase uma década, China e Brasil engataram uma relação profícua. O interesse mútuo parece cada dia mais firme. De acordo com a professora da Esalq/USP e pesquisadora do Cepea – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, Heloisa Lee Burnquist, a China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, quando superou os Estados Unidos, e tem sido seu maior cliente no exterior. Em 2016, o Brasil exportou US$35,9 bilhões para a China e esta exportou US$30 bilhões para o Brasil.

Como parte da conquista, players brasileiros e chineses mostram suas intenções. Enquanto o prefeito de São Paulo, João Dória, visita a gigante asiática para apresentar projetos de privatização e concessão de ativos da Prefeitura à iniciativa privada, os cinco maiores bancos chineses fincam, cada vez mais, o pé em terras brasileiras. São eles: Bank of China (BOC), Banco Industrial e Comercial da China (ICBC); Haitong, China Construction Bank (CCB) e Bank of Communications (BoCom). Juntos, de acordo com o Valor Econômico, eles representam 0,48% dos ativos totais do sistema financeiro local, o que não é um problema, uma vez que atuam com assessoria financeira e suporte ao financiamento via repasse de linhas externas. E trabalham com agências de exportação e organismos multilaterais chineses para financiar as obras de infraestrutura no Brasil.

O Bank of China (BOC), que foi visitado por Dória, é uma das maiores instituições públicas chinesas e sua estratégia para entrar no Brasil foi abrir operação por aqui, com o BOC (Brasil) S.A., que opera desde 2009. O site da instituição informa que profissionais, tanto aqui como lá, focam no mercado bilateral, com o objetivo de facilitar e agilizar o comércio e as atividades econômicas de empresas e clientes. A estratégia do CCB foi adquirir o BicBanco. Já o BoCom comprou uma participação de 80% do BBM, o Haitong entrou no país ao assumir, em 2015, as operações globais do Banco Espírito Santo Investimento (Besi). E, a exemplo do BOC, o ICBC abriu operação própria, em 2013, com a perspectiva de ser um banco múltiplo e de varejo, “usufruindo dos benefícios provenientes do estreitamento das relações econômica e comerciais entre Brasil e China, e das oportunidades geradas por este,” afirma o site.

A professora da Esalq ressalta que os dados que caracterizam as relações econômicas entre China e América Latina são reveladores. Atualmente, a China aparece como segunda maior fonte de investimento estrangeiro na região, alcançando um patamar de US$ 100 bilhões voltados à manutenção de não menos que 100 projetos de infraestrutura, incluindo desde a geração de energia solar até uma base de monitoramento espacial na Patagônia. Entre 2001 e 2016, o comércio bilateral entre China e América Latina multiplicou-se por 23. Em países como Brasil, Chile e Peru, o volume de comércio com a potência chinesa já supera o mantido com os Estados Unidos.

Matéria do The Washington Times dá um panorama dessas investidas chinesas e seu direcionamento comercial. “A Venezuela pode estar em um colapso, o Brasil consumido por escândalos de corrupção e a Argentina acabando de sair de uma recessão. Mas para a China, cujos investimentos na América Latina totalizam US $ 100 bilhões, é apenas um negócio como de costume. Em grande parte imune à volatilidade da região graças ao seu pragmatismo comercial e visão de longo prazo, Pequim é visto como um parceiro estratégico chave e fonte de dinheiro em capitais que vão da Cidade do México até Buenos Aires.” E comenta que com a política externa do presidente Trump, os analistas dizem que a região vai olhar cada vez mais, para o leste e não para o norte para financiamento da infraestrutura.

De fato, a diversificação dos negócios dos bancos chineses por aqui demonstra essa tendência. Segundo o Valor Econômico, o ICBC, maior banco do mundo em ativos segundo a S&P, com US$ 3,47 trilhões no fim de 2016, pretende participar do financiamento de projetos de infraestrutura em parceria com o fundo Brasil-China, lançado em parceria com o governo brasileiro, de US$ 20 bilhões. Seus projetos são nas áreas de energia, transporte, construção municipal e outros setores. Sempre considerando requerimentos de políticas, estabilidade do retorno e controle do risco.

O Haitong, por sua vez, tem foco em assessoria financeira para investidores e empresas chinesas que estão chegando ao Brasil. O banco tem interesse em setores de construção, água, energia elétrica e renovável, agronegócio, óleo e gás, ferrovia e logística. “Dos maiores bancos comerciais chineses, o único que não têm presença no Brasil ainda é o Agricultural Bank of China. Comenta-se no mercado que bancos ou fundos chineses poderiam ter interesse em eventual venda do Banco Original e da Guide, plataforma de investimentos do Banco Indusval,” afirma o jornal.

Como se vê, os bancos do país asiático reforçam sua atuação no país, no longo prazo, e manifestam boas intenções, segundo Dória, em relação ao programa de privatização que ele empreende em São Paulo; “seja no plano da privatização, concessão e Parcerias Público-Privadas (PPPs) e confiança no Brasil, avalia Doria, que afirmou em vídeo postado em redes sociais que o encontro com o Banco do China foi produtivo. Ele também se reuniu com o Banco de Desenvolvimento da China, espécie de BNDES chinês. “Ambos apoiam e financiam empresas chinesas em seus programas de expansão no exterior,” afirma o prefeito.

Com informações de Estadão conteúdo, Valor Econômico e Cepea

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