Mesmo com corte recente na taxa básica país atinge o topo de ranking global devido às projeções de inflação interna
O Brasil voltou a ocupar a primeira posição no Ranking Mundial de Juros Reais, consolidando-se como o país com a maior taxa de juros descontada a inflação entre as principais economias do planeta. De acordo com o levantamento elaborado pela Money You e pela Lev Intelligence, a taxa de juros reais brasileira atingiu o patamar de 9,67% ao ano. O índice foi alcançado mesmo após a autoridade monetária realizar um corte de 25 pontos-base na taxa Selic, que passou a figurar em 14,25% ao ano, isolando o mercado nacional de outros grandes emergentes.
Comparativo global e simulações do cenário nacional
A liderança brasileira no ranking de juros reais supera nações que historicamente praticam taxas elevadas. No atual cenário, o Brasil fica à frente da Rússia, que registra 9,31%, da Turquia, com 5,57%, e do México, com 5,10%. O estudo mostra que a posição do país se manteria no topo independentemente da intensidade do movimento do Banco Central: caso a Selic tivesse sido mantida em 14,50%, o juro real seria de 10,09%, enquanto um corte mais agressivo, de 0,50 ponto percentual, resultaria em uma taxa real de 9,36%.
Para chegar ao índice atual de 9,67%, o cálculo do economista-chefe Jason Vieira considerou a projeção de inflação para os próximos doze meses, estimada em 4,31% pelo Relatório Focus do Banco Central, aplicada sobre a taxa DI com vencimento em junho de 2027.
Tensões geopolíticas e juros nominais
O documento aponta que fatores geopolíticos, como as tensões entre o Irã e os Estados Unidos, reconfiguraram as posições globais ao pressionarem as projeções de inflação para cima na maior parte das nações. Embora acordos de paz possam atenuar esses impactos no futuro, o cenário adverso recente contribuiu para gerar uma série significativa de juros reais mais baixos ou até negativos ao redor do mundo.
Quando analisado o ranking de juros nominais — ou seja, a taxa básica bruta, sem descontar a inflação —, o Brasil ocupa a quarta colocação mundial, com seus 14,25%. Nesse recorte específico, o topo é liderado pela Turquia, que apresenta uma taxa nominal de 37%, seguida pela Argentina, com 29%, e pela Rússia, com 14,50%.
Comportamento dos bancos centrais
O levantamento amplo mapeou as diretrizes de política monetária de 164 países, revelando uma forte tendência global pela cautela. Desse total, 72,56% das autoridades optaram por manter suas taxas inalteradas nas últimas reuniões, enquanto 21,34% elevaram os juros e apenas 6,10% realizaram cortes.
No grupo restrito das 40 principais economias do mundo, o comportamento seguiu um padrão semelhante: 62,50% mantiveram as taxas, 27,5% promoveram elevações e somente 10% afrouxaram suas diretrizes por meio de reduções na taxa básica, grupo no qual o Brasil se inseriu nesta última atualização.