Aporte privado conta com garantia de R$ 8 bilhões das acionistas majoritárias e antecipação no pagamento de juros sobre capital
A poucos dias da divulgação dos seus resultados financeiros do segundo trimestre, o Bradesco anunciou um plano para reforçar a sua estrutura de balanço por meio de um aumento de capital de até R$ 10 bilhões. A operação ocorrerá via subscrição privada e já conta com um compromisso firme de aporte de até R$ 8 bilhões assumido por suas acionistas controladoras — representadas pelo grupo formado por Cidade de Deus, NCF, Nova Cidade de Deus e Fundação Bradesco, que detém 72% das ações com direito a voto e 37% do capital total da instituição.
Em fato relevante, o banco informou que a capitalização servirá para acelerar investimentos estratégicos em tecnologia, eficiência comercial, expansão de negócios e financiamento sustentável. Do ponto de vista regulatório, o reforço adicionará aproximadamente 0,9 ponto percentual ao capital principal do banco, somando-se ao índice pro forma que gira em torno de 12,7%.
Deságio na emissão de ações e antecipação de proventos
A emissão das novas ações foi fixada nos valores de R$ 15,43 por papel ordinário e R$ 17,64 por título preferencial. Os preços embasam um deságio de 6% em relação ao fechamento do último pregão — quando as ações fecharam cotadas a R$ 16,04 (ordinárias) e R$ 18,35 (preferenciais) —, aplicado pela administração com o objetivo de incentivar a adesão dos demais acionistas no exercício do direito de preferência.
De forma simultânea, a instituição antecipou para o dia 15 de setembro o pagamento de R$ 6,5 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP) já declarados, cujo repasse estava previsto originalmente para ocorrer entre outubro de 2026 e janeiro de 2027. O valor bruto equivale a R$ 0,586 por ação ordinária e R$ 0,644 por ação preferencial. Os acionistas poderão utilizar os recursos recebidos do JCP para subcrever as novas ações do aumento de capital. Para os investidores que optarem por não exercer a preferência, a diluição máxima estimada é de 3,4%.
Reação de analistas e avaliação de mercado
A operação foi avaliada de forma positiva por grandes casas de análise de mercado. O BTG Pactual apontou que a evolução do capital tangível beneficia a tese de investimento do banco no longo prazo e ressaltou que o compromisso de R$ 8 bilhões das controladoras elimina o risco de execução da oferta.
Já a JP Morgan destacou os ganhos de recapitalização via proventos e a ampliação do patrimônio líquido tangível, fator que permite otimizar o aproveitamento do estoque de cerca de R$ 120 bilhões em ativos fiscais diferidos (DTAs) e amplia o fôlego para investimentos em tecnologia.
Por fim, a XP considerou o desenho da operação eficiente ao preservar benefícios fiscais do JCP e reforçar o balanço, mas observou que o momento do anúncio pode gerar questionamentos sobre a capacidade de geração orgânica de capital frente ao ciclo de crédito atual.