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Open banking no Brasil e na Índia


Por Edilma Rodrigues

Manish Arora, Open Banking Senior Consultant na TCS, mediou o painel que contou com a presença de M. Rajeshwar Rao, Deputy Governor do Reserve Bank of India, que falou sobre a abordagem do sistema em seu país e teve a participação de Otávio Damaso, diretor de regulação do Banco Central do Brasil.

Arora explicou que o open banking foi pensado há vários anos, mas ultimamente, cada vez mais, a Índia melhora a forma de abrir o sistema sempre respeitando os requisitos do regulador, como a privacidade de dados e a participação de todos os bancos. E há o impulso do regulador para criar mais concorrência no setor bancário e financeiro, o que tornam os desafios e as oportunidades parecidas nos dois países.

Para Rajeshwar Rao, a tecnologia tem permitido às instituições financeiras novos modelos de negócios e serviços especializados. E os desafios do open banking em seu país passam pela simplificação do acesso aos dados existentes, que estão fragmentados em diferentes locais. Nesse sentido, é necessário criar sistemas de compartilhamento suaves e seguros, que permitam que as informações fragmentadas sejam otimizadas. Isso requer inovação e meios de financiamento de tecnologias de Inteligência Artificial, sistemas de análise e mais equipamentos digitais.

Como a preocupação é a segurança no compartilhamento dos dados e a digitalização tem novos modelos de serviços, a simplificação tem potencial de transformar todo o sistema financeiro. Além disso, continua Rajeshwar Rao, é preciso que as abordagens sejam mais dirigidas ao mercado

O open banking na Índia tem cinco anos, foi instituído em 2016. Rajeshwar Rao conta que o país pensou na estrutura e protocolos para facilitar a interoperabilidade, nos diferentes cenários que podem ser oferecidos pelos bancos. “O cliente pode usar qualquer tipo de conta e operar em diferentes identidades, com vários pins, telefone, CPF etc. e o compromisso é com a segurança e está relacionado com as credenciais do cliente,” assinala.

O sistema indiano foi projetado para proteger e o regulador só permite que as transações sejam feitas por meio de instituições autorizadas. Lá a plataforma é muito grande, APIs são fáceis, baratas e seguras. E transformou todo o sistema de pagamentos no varejo. Também é usado para fazer transferências, 

Também para remessas é usado

No último ano, segundo o vice-governador, o open banking tem crescido muito e duplicou seu tamanho com foco em populações rurais, impressão digital por meio do celular, muitas inovações nos últimos cinco anos e a confiança das pessoas no sistema.

Oportunidades e desafios para o Brasil

Damaso comenta que o principal objetivo do open banking é aumentar a eficiência, com inovação, emergência de novos modelos de negócios, inclusão e educação financeira. “Espera-se também que haja racionalização das assimetrias

Ajudar a definição das políticas e entrega de serviços para diferentes perfis da população. Há grande espaço para aprofundar a inclusão financeira, o que é crucial para desenvolver o empreendedorismo.”

Como desafio, o diretor do BC aponta a inclusão de funcionalidades que garantam o compartilhamento de dados e ao mesmo tempo mantenham a segurança e a proteção deles. “A implementação de mecanismos e regras de responsabilização e observância de requisitos que estejam na regulação para garantir a segurança do compartilhamento,” completa.

Damaso encerrou sua participação deixando duas mensagens principais: “os clientes precisam entender que os dados financeiros pertencem a eles mesmos, que devem direcionar suas finanças. “Dados têm valor. São um ativo. O compartilhamento pode gerar serviços mais baratos e melhores,” comenta.

Além disso, continua, os atores do mercado precisam saber que a nova realidade e a digitalização dos serviços financeiros são irreversíveis. Precisam entender como oportunidade e que os clientes precisam diferentes produtos e serviços.


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