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Número de fintechs cresce 34% e somam 742 no Brasil


Por Edilma Rodrigues

O Brasil possui uma das maiores concentrações bancárias do mundo, sendo cinco bancos detentores de 85% dos ativos totais do segmento comercial. Para efeito comparativo, nos Estados Unidos os cinco maiores bancos não detêm sequer 50% dos ativos totais de mercado. Apesar do cenário desfavorável à concorrência, a cada ano que passa as fintechs vêm ganhando cada vez mais destaque ao modernizar o setor financeiro, oferecendo novos produtos e/ou serviços cada vez mais personalizados e acessíveis a uma grande parcela da população, trazendo novas experiências a negócios e consumidores com uma versatilidade surpreendente em um o setor bastante regulado e burocrático.

O Distrito Dataminer estuda o setor continuamente e já no ano passado, percebia-se que esse mercado poderia ser considerado a “ponta de lança” do ecossistema de startups no Brasil – na época foram mapeadas 553 fintechs.

Hoje, segundo a versão mais atualizada do estudo Distrito FinTech Report 2020, 

O número de fintechs no Brasil aumentou 34%, do ano passado para cá. Agora, elas somam 742 startups. Em 2019, eram 553, de acordo com o Distrito FinTech Report 2020, do Distrito Dataminer, que avalia: “É nítido que o ecossistema está preparando o terreno para novas ondas e tendências que vêm para aprimorar as soluções ao longo do tempo, causando grandes impactos na sociedade e na forma em que nos relacionamos com os serviços financeiros.”

As fintechs em todo o mundo tem as maiores contagens de exits (saída, que pode ser por meio da fusão, venda estratégica ou IPO na bolsa). No País, cerca de 35% dos aportes de Ventures Capital, que somaram em torno de US$ 910 milhões, foram em startups de serviços financeiros. O Distrito explica que esse crescimento é uma consequência de diversos fatores: diversas lacunas em nichos do mercado, nos quais as grandes instituições não conseguem cobrir devido à falta de agilidade nos negócios e porque quase 100% das soluções das fintechs são digitais, o que torna o negócio totalmente escalável, transacionando quantidades massivas de dinheiro.

Raio-X das fintechs brasileiros

Outras análises do estudo apontam para um ambiente propício para o desenvolvimento das fintechs no Brasil: sistema bancário caro e inflexível, população com pouca educação financeira e um dos maiores mercados consumidores do mundo. Além disso, um em cada três brasileiros com mais de 16 anos não possui conta bancária, um total de 45 milhões de pessoas que movimentam R$ 800 bilhões por ano. Os dados, do Instituto Locomotiva, indicam ainda que a maior parte dos desbancarizados é composta por mulheres (59%), negros (69%), pessoas que pertencem às classes C, D e E (86%) e que vivem no Nordeste do país (39%). Entre os 45 milhões de desbancarizados, 58% não frequentaram uma escola ou estudaram até o ensino fundamental.

Mau uso de cartões de crédito

Na análise do Distrito, há desconhecimento dos brasileiros quanto ao uso de cartões de crédito. “Aproximadamente 25% da população brasileira, 52 milhões de pessoas, utilizam cartões de crédito como forma de pagamento, de acordo com a SPC Brasil. Um terço desses usuários não sabe o limite do cartão; 96% desconhecem as taxas de juros mensais, e 93% admitem o risco de gastar mais do que podem e; 38% dessas pessoas, já pagaram apenas o mínimo da fatura do cartão de crédito. A taxa média de juros cobrada no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito fecharam 2019 acima de 300% ao ano, dados do Banco Central.”

Outro ponto é a falta de planejamento financeiro, que leva muitos brasileiros – cerca de 58% segundo o SPC Brasil – a não dedicarem tempo ao controle da vida financeira. Desses, 17% sempre precisam usar cartão de crédito, cheque especial ou pedir dinheiro emprestado para conseguir pagar as contas do mês, esse percentual aumenta para 24% entre os mais jovens. Há também aqueles que precisam recorrer a linhas de crédito para complementar a renda.

Um dos maiores Spreads bancários do mundo

A taxa básica de juros da economia está no seu patamar mais baixo da história. Mesmo assim, os bancos brasileiros continuam no topo quando o assunto é spread bancário, a diferença entre o que as instituições pagam para captar dinheiro e o que cobram quando o emprestam. E uma das explicações para isso, segundo especialistas consultados pelo Distrito, pode estar numa área em que o Brasil é um dos piores do mundo: a recuperação de crédito. Segundo dados do Banco Mundial, por aqui, apenas US$ 0,13 são recuperados de cada US$ 1 emprestado – a metodologia do banco considera o valor recuperado quando há execução de dívidas. A média mundial está em US$ 0,34 por US$ 1. Essa baixa recuperação de crédito impacta diretamente os custos administrativos dos bancos, um dos componentes do spread.

A relação das fintechs com o ecossistema

Nos últimos dez anos, o termo “fintech” deixou de ser desconhecido e passou a ter mais visibilidade à medida que startups do mercado financeiro começaram a ganhar as manchetes dos portais de notícias. Tanto é que investimento global nessas startups aumentou drasticamente nos últimos 10 anos: saindo de US$ 2 bilhões em 2010 para mais de US$ 40 bilhões em 2018.

No entanto, mais de uma década depois do colapso financeiro que alimentou a revolução da fintechs ainda existem poucas evidências da capacidade dessas startups escalarem às alturas das grandes instituições financeiras globais. Isso porque ainda não existem fintechs na Fortune 500, ou entre os 35 maiores bancos e companhias de seguros no S&P 500. Talvez o caso de maior sucesso seja o do PayPal, que possui um valor de mercado de cerca de US$ 100 bilhões.

O que se pode perceber ao analisar o estudo Distrito FinTech Report 2020 é que ainda há um longo caminho de desenvolvimento e escala das fintechs. Há sinais de que essas startups poderão se tornar cada vez mais “portáteis” e onipresentes nos próximos anos.

Insights do estudo

O Distrito destaca os principais insights do estudo.

  • Meios de pagamento, crédito e backoffice são as categorias mais representativas
  • Mais de 70% das startups estão concentradas no sudeste brasileiro
  • Mais de 40 mil pessoas trabalham em startups do setor financeiro
  • Mais de 55% das fintechs são B2B
  • Das 10 principais startups, quatro atuam na categoria meios de pagamento e três promovem serviços digitais
  • O setor concentrou 35,6% do capital investido em startups em 2019
  • Startups da serviços digitais são as que mais receberam investimento
  • NuBank e Creditas figuram entre as fintechs que receberam as maiores rodadas de investimento

Fonte: Distrito Dataminer


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