Tags: ,

Bancos discutem desafios e oportunidades do open banking no Brasil


Edilma Rodrigues

O debate do webinar “Open Banking: Oportunidades Ilimitadas”, promovido pela Tata Consultancy Services (TCS), nesta quarta-feira (14), reuniu Rogério Câmara, CCO do Bradesco, Marcelo Clara, CIO do Banco BV e Marino Aguiar, CIO do Santander Brasil, sob a moderação de Tushar Parikh, Country Head Brasil e BFSI Head Latam na TCS. 

LGPD é a base por trás do open banking

Para Marcelo Clara, CIO do Banco BV, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é a base por trás do open banking, uma vez que parte do princípio de que o dado é de titularidade da pessoa. “A autonomia permite que ele indique quem vai consumir esse dado, antes restrito às instituições, eliminando a assimetria.”

A plataforma dos bancos, evoluída durante décadas, passa a ser usada por outros canais de terceiros que se integram às nossas plataformas por meio das APIs e o processo de consentimento para fluir de uma organização para outra.

Clara menciona as diversas oportunidades que o novo modelo agrega como informações estarem disponíveis para toda a indústria, o que permite repensar produtos e processos (mais simplificados), com preço em função dos riscos; a especialização dos nichos etc. “O desafio é conseguir explorar e ofertar.”

Segurança é um dos maiores desafios

Câmara, do Bradesco, salienta que o sistema financeiro aberto traz desafios relacionados à segurança dos dados. Isso porque até agora, essas informações ficavam restritas às instituições, com forte fiscalização do Banco Central e, agora, é preciso monitorar os caminhos que os dados vão percorrer e como serão tratados nas diversas plataformas.

“Acreditamos na governança proposta pelo BC e na observância de todos os mecanismos.” Vale lembrar que a próxima fase de implementação do open banking, prevista para julho, tem o compartilhamento efetivo dos dados. O executivo conta que o Bradesco trabalha focado na LGPD, com a interação dos times das áreas de negócios e produtos, segurança, jurídico e compliance. O objetivo é a “disseminação da cultura de segurança, que é chave na organização,” assinala Rogério Câmara.

Câmara destaca as muitas oportunidades de negócios que o open banking vai gerar, envolvendo consorcio, cartões e muitos outros produtos e a busca por parcerias estratégicas com empresas, fintechs, startups e bigtechs.

Marino também destaca a parceria entre as áreas internas da instituição, promovida pela implantação do open banking, especialmente entre TI e negócios. A integração ajuda a interpretar a legislação e traduzi-la em plataforma de tecnologia (área de negócios). “O papel desses projetos é fazer o open banking gerar valor para os clientes e monetizar, incentivando-os no consentimento, que é perecível e exige um trabalho contínuo da área de negócios.”

O formato leva as instituições, diz Marino, a trabalhar cada vez mais com parcerias, que vão dar origem ao ecossistema e impelem o desenvolvimento de outros modelos de negócios, como o BaaS – Bank as a Service – para suportar o crescimento da indústria. Marino prevê ainda que o setor de Telecom vai se associar às instituições financeiras.

Marcelo Clara vai além e informa que o BV, há quatro anos, iniciou um posicionamento importante na direção de custodiar fintechs, integrando seus serviços ao BC. A unidade de negócios da instituição, que responde pela inovação, incorporou além do BaaS, o Credit as a Service, com portais que originam crédito e o Investment as a Service, com APIs que expõem CDBs.


Fique atualizado em relação as principais notícias do setor. Inscreva-se na Newsletter e nos acompanhe nas Redes Sociais (Facebook, Linkedin, Twitter e Instagram).