Balanço do Pix: 78 milhões de chaves cadastradas, 1,8 milhão de reais transacionados e necessidade de melhoria em algumas soluções


Por Edilma Rodrigues

A operação plena do tão aguardado Pix, os pagamentos instantâneos do Banco Central, teve início na última segunda-feira (16). Nas 734 instituições, que têm o Pix disponível para toda a base de clientes, até a quarta-feira (18) – dado divulgado pelo BC às 18h00 na quinta (19) – a somatória de chaves cadastradas ultrapassava 78,1 milhões e o volume total transacionado era de quase 1,8 milhão de reais. Para entender como tem sido a implantação dos pagamentos instantâneos, a Capco, consultoria global de gestão e tecnologia, fez uma sondagem com nove soluções Pix implementadas por instituições financeiras: três bancos tradicionais, três bancos digitais e três empresas de meios de pagamento. 

A Capco analisou as facilidades de uso, funcionalidades e oportunidades de melhoria das soluções e identificou algumas questões como a falta de usabilidade e de integração com outros recursos dos apps, mas com foco na rapidez e diversidade de opções.

Conclusões: 

Não há uniformidade nas soluções oferecidas pelos bancos e carteiras digitais: apesar de as maiores instituições financeiras e fintechs terem oferecido a funcionalidade Pix desde o primeiro dia, nem todas apresentam o mesmo nível de maturidade. Enquanto algumas oferecem uma boa usabilidade, outras podem trazer bastante confusão ao cliente com risco de causar decepção e baixa adoção. 

Bancos tradicionais oferecem soluções consistentes: notamos que as soluções disponibilizadas pela maior parte dos grandes bancos tradicionais oferecem um pacote de valor consistente ao cliente, tanto pessoa física quanto jurídica. Estas instituições usaram sua experiência para criar telas de fácil entendimento além de jornadas que exigem baixa quantidade de cliques. 

Foco na rapidez: entendemos que um fator essencial para o sucesso e crescimento da adoção do Pix está na disponibilização de soluções fáceis e intuitivas, tanto para pagamento de QR-Codes (clientes pagadores) quanto para geração de QR-Codes (clientes que querem cobrar). Muitas instituições criaram funcionalidades que oferecem QR-Codes na primeira tela da área Pix ou abrem a câmera dos celulares em apenas um clique. 

Falta de integração: parte das soluções oferecidas pelos bancos e carteiras digitais não estão integradas com o restante do aplicativo. A área de funções Pix não está integrada com as demais funcionalidades do banco. Por exemplo, é possível realizar uma transferência clicando na função Pix, porém algumas instituições não incluíram o Pix em suas funções de transferência. O mesmo aconteceu com funcionalidades pré-existentes de “Cobrar/ Receber” dinheiro ou gerar QR-Code: é possível realizar cobranças ou gerar QR-Code dentro da função Pix, porém se o usuário clicar em cobrar ou gerar QR-Code fora da área Pix, algumas instituições não oferecem Pix. Isto é uma relevante perda de usabilidade e pode causar confusão em usuários. 

– Insistência excessiva no cadastro de chaves: algumas instituições criaram soluções que são mais focadas em oferecer o cadastro das chaves do que em facilitar o usuário a realizar transações Pix. Algumas delas, testadas pela Capco, chegam a confundir o usuário a ponto que ele cadastre uma chave mesmo sem desejar. Em outras soluções, os aplicativos adicionam passos desnecessários para quem não possui as chaves cadastradas. É importante destacar que qualquer cliente pode realizar uma transferência Pix mesmo sem ter uma chave cadastrada. 

A expectativa da Capco é que o mercado relacionado com a oferta de Pix evolua nas próximas semanas e que as melhores práticas sejam expandidas para a maior parte das instituições. 

O Pix

Pix é um serviço de transferência instantânea de dinheiro criado pelo Banco Central que permite que clientes realizem pagamentos ou transferências de fundos. As transferências podem ser entre pessoas físicas, pessoas físicas e empresas ou entre empresas. O objetivo da implementação é aumentar a concorrência no setor e incentivar o aumento da bancarização no Brasil. 

Fontes: Banco Central e assessoria de imprensa


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