O painel final do Fintech View discutiu como o blockchain pode mudar a forma de pensar e agir do mercado financeiro e também demonstrou preocupação com a questão regulatória. Com a moderação de Dorival Dourado, da Centria, e participações de Edilson Osório (Original My), João Canhada (Foxbit) e Andrea Zaccari (Intel), o painel abordou as razões do interesse mundial pela tecnologia, as dificuldades de sua adoção em larga escala e os temores sobre o papel dos órgãos reguladores no desenvolvimento deste setor.
Na opinião de Osório, a tecnologia tem o potencial de tornar os mercados tradicionais mais eficientes. “O blockchain do Bitcoin só faz uma coisa, mas a tecnologia está sendo usada para desenvolver as mais variadas formas de aplicação e se mostrado muito eficiente”, disse.
Segundo ele, o grande desafio se dá em torno da questão de como armazenar informações sensíveis em ambientes públicos. “Uma vez no blockchain, sempre no blockchain. Se uma instituição armazenar um dado sigiloso e, posteriormente, um ex-colaborador, por exemplo, resolver dar publicidade a esta informação, não será possível para a instituição apagar e nem modificar esses dados”, comentou. Ressaltou que este é um risco grande quando se fala da utilização do blockchain por bancos e instituições financeiras.
Canhada, por sua vez, ressaltou que ainda existe muita coisa a ser descoberta em relação às possibilidades de uso do blockchain. “Alguém se dizer especialista em blockchain hoje é como alguém se dizer especialista em comércio eletrônico nos anos 90”, declarou. “Por isso creio que uma regulamentação agora não seria benéfica”, concluiu.