Por Wagner Martin*
Nos últimos cinco anos, o sistema financeiro brasileiro passou por uma profunda transformação, impulsionada por marcos regulatórios, avanços tecnológicos e mudanças no comportamento do consumidor. A implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) abriu caminho para o open finance, que viabilizou o Pix e revolucionou o mercado.
Esse movimento criou um ecossistema financeiro mais dinâmico, inclusivo e competitivo. A entrada de neobanks e fintechs no mercado diversificou a oferta de serviços e desafiou a hegemonia dos grandes bancos tradicionais.
Nesse contexto, o movimento de embedded finance ganhou força. Algumas empresas passaram a oferecer suas próprias carteiras digitais, criando ecossistemas financeiros internos. Ao mesmo tempo, bancos começaram a disponibilizar serviços não financeiros para diversificar suas receitas e a acompanhar a maturidade do setor. Essa evolução se expressa agora em uma nova tendência: o “beyond banking”, com soluções que expandem a atuação dos bancos para muito além de sua função original.
Nesse novo cenário, o onboarding digital de empresas se torna prioridade. Se a abertura de contas para pessoas físicas já é feita com biometria e documentos digitais, espera-se que o mesmo se aplique às empresas. Superar a burocracia que envolve CNPJ, contratos sociais e procurações é essencial para ampliar soluções e integrar mais empresas ao sistema digital.
A modernização gradual dos canais digitais para pessoas jurídicas está se tornando tão relevante quanto foi, anos atrás, com a revolução dos canais para pessoas físicas. Se antes todos buscavam replicar experiências bem-sucedidas para o consumidor final, agora o foco está em desenvolver soluções robustas e intuitivas para as empresas, garantindo melhor escalabilidade do negócio.
Agora, o próximo capítulo é claro: a transformação dos canais e experiências voltados para a pessoa jurídica.
*Wagner Martin é VP de Relações Institucionais da Veritran no Brasil