Adoção da ferramenta do Banco Central sinaliza maior preocupação do brasileiro com o roubo de dados pessoais
O Banco Central do Brasil (BC) anunciou nesta semana que o serviço BC PROTEGE+ ultrapassou a marca histórica de 1 milhão de ativações, consolidando-se como uma das principais barreiras tecnológicas contra o avanço das fraudes de identidade no país. Lançada como uma camada adicional de segurança integrada ao ecossistema do Registrato, a ferramenta envia notificações em tempo real sempre que o CPF do usuário é utilizado para abrir novas contas bancárias, solicitar empréstimos ou realizar consultas de crédito. O engajamento massivo reflete uma mudança de comportamento do cidadão, que passou a atuar de forma proativa no monitoramento de sua saúde financeira digital em 2026.
Monitoramento em tempo real e prevenção
O funcionamento do BC PROTEGE+ baseia-se na centralização de alertas sobre a movimentação do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) em todo o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ao ativar o serviço, o cidadão recebe avisos instantâneos via aplicativo ou e-mail, permitindo identificar rapidamente tentativas de abertura de contas por terceiros — as chamadas “contas laranjas” — ou a contratação de serviços não autorizados. Essa rapidez na comunicação é o que diferencia o programa de consultas manuais, que muitas vezes só revelavam o golpe meses após a concretização do prejuízo.
Para o Banco Central, a ferramenta não apenas protege o indivíduo, mas também reduz os custos operacionais das instituições financeiras com a reversão de fraudes e processos de contestação, tornando o sistema como um todo mais resiliente.
Combate à engenharia social
A ascensão do BC PROTEGE+ ocorre em um cenário onde os criminosos têm aperfeiçoado táticas de engenharia social e vazamento de dados para obter crédito de forma ilícita. Com a digitalização quase total dos serviços bancários, a identidade digital tornou-se o ativo mais visado por quadrilhas especializadas. Ao oferecer um “escudo” gratuito e oficial, o Banco Central dificulta a monetização de dados vazados, uma vez que o titular é informado sobre a tentativa de uso de suas informações antes mesmo da finalização da operação fraudulenta.
“O foco é antecipar a ação do fraudador e dar ao brasileiro o controle sobre o que é feito em seu nome”, reforça a comunicação oficial da autarquia. A expectativa é que, com a integração cada vez maior entre o BC PROTEGE+ e a conta Gov.br (níveis Prata e Ouro), o número de usuários continue crescendo exponencialmente ao longo de 2026, estabelecendo um novo padrão de segurança cibernética para o mercado nacional.
Como realizar a ativação
Para os cidadãos que ainda não fazem parte dessa estatística, a ativação permanece simplificada e gratuita. O acesso deve ser feito exclusivamente pelos canais oficiais do Banco Central ou através do portal do Registrato. O sistema exige a autenticação em dois fatores, garantindo que apenas o titular legítimo possa configurar as preferências de alerta e visualizar o histórico de consultas realizadas por bancos e financeiras.