Iniciativa utiliza tecnologia geoespacial para aprimorar o monitoramento do crédito rural e garantir o compliance ambiental
O Banco Central do Brasil (BC) anunciou a abertura das inscrições para o projeto Geotec, uma iniciativa estratégica voltada para o aprimoramento da fiscalização do crédito rural por meio de tecnologias de sensoriamento remoto. O programa faz parte da Agenda BC, especificamente na dimensão Sustentabilidade, e visa consolidar o uso de imagens de satélite e dados geográficos no monitoramento de propriedades que recebem financiamentos agropecuários. Com o projeto, a autoridade monetária busca elevar o nível de transparência e conformidade ambiental nas operações financeiras do setor, coibindo o uso de recursos em áreas de desmatamento ilegal ou sobrepostas a terras protegidas.
Monitoramento por satélite e precisão
O coração do Geotec reside na integração de grandes bases de dados georreferenciados com os sistemas de supervisão do próprio Banco Central. Ao utilizar coordenadas de GPS e imagens captadas por satélites, a autarquia consegue verificar em tempo real se a atividade financiada está sendo realizada exatamente no local declarado. Isso reduz drasticamente a dependência de fiscalizações presenciais, que são mais lentas e custosas, permitindo uma cobertura muito mais abrangente do território nacional.
“A tecnologia geoespacial é uma aliada fundamental para garantir que o crédito rural não apenas chegue ao produtor, mas que seja aplicado em áreas que respeitam a legislação ambiental e as normas do setor”, afirmou um dos técnicos responsáveis pela regulação do projeto. Segundo o órgão, o Geotec permitirá identificar automaticamente inconsistências que poderiam passar despercebidas em auditorias manuais, como o plantio em áreas de reserva legal ou o descumprimento de embargos ambientais.
Sustentabilidade no agronegócio
A implementação do projeto Geotec reforça o compromisso do Brasil com as metas internacionais de preservação e com as novas exigências dos mercados globais de commodities. Investidores estrangeiros e blocos econômicos têm exigido rastreabilidade total da produção agrícola para garantir que os produtos importados não tenham origem em áreas degradadas. Ao digitalizar a fiscalização, o Banco Central posiciona o agronegócio brasileiro como um setor de alta tecnologia e baixo risco socioambiental.
As instituições financeiras interessadas em participar da fase piloto ou das rodadas de teste do sistema devem submeter suas propostas através do portal oficial do Banco Central. O projeto também abre espaço para a colaboração com agritechs e empresas de tecnologia geoespacial, criando um ecossistema de inovação que beneficia tanto o regulador quanto o mercado de crédito rural. O cronograma prevê que as primeiras funcionalidades integradas do Geotec estejam operacionais para todo o Sistema Financeiro Nacional de forma escalonada ao longo de 2026.