Por Edilma Rodrigues
O Banco Central acaba de lançar a dimensão Sustentabilidade da Agenda BC#, que inclui iniciativas no âmbito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) relacionadas à responsabilidade socioambiental, riscos climáticos e à cultura de sustentabilidade. De acordo com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, a pauta da nova dimensão é estratégica e inclui a promoção de finanças sustentáveis; gestão adequada dos riscos socioambientais e climáticos no SFN e integração de variáveis sustentáveis no processo de tomada de decisões do BC
Durante o anúncio, feito pelo canal do Youtube nesta tarde (08), o BC também assinou memorando de entendimento com a Climate Bonds Initiative (CBI). O objetivo dessa parceria é trocar informações relacionadas à promoção de finanças sustentáveis e garantir gerenciamento adequado desses riscos no setor financeiro
Dimensão Sustentabilidade da Agenda BC#
Fernanda Nechio, diretora de assuntos internacionais e de gestão de riscos corporativos, explica que essa nova dimensão é dinâmica, abrangente e envolve todas as áreas do banco. “As ações incluídas no Pilar Sustentabilidade englobam medidas de responsabilidade socioambiental direcionadas tanto ao sistema financeiro quanto ao próprio Banco Central,” afirma.
Esse conjunto de medidas é extenso e inclui, entre elas, a inclusão de critérios de sustentabilidade na gestão das reservas internacionais e na seleção de investimentos e a estruturação e ampliação da coleta de informações sobre riscos socioambientais que, como explica Fernanda, tem como uma de suas restrições, o custo. Ao prover informações, por meio de uma Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (Task Force on Climate-related Financial Disclosures – TCFD), o regulador vai barateá-lo.
O BC lembra que a adoção da TCFD será obrigatória para os bancos a partir de 2022, mas primeiramente, ele vai identificar o que é cabível para o sistema financeiro e bancário e lançar consulta pública no início do ano que vem.
Na agenda do novo pilar também está a criação de uma linha de crédito com incentivo a ativos sustentáveis, prevista para ser lançada até dezembro do ano que vem. Para instituições financeiras, o BC disse que vai aprimorar regulações que já existem como a inclusão de risco climático.
Bureau Verde
Outra medida é a criação de um Bureau Verde, que tem como objetivo incentivar o crédito rural verde. A iniciativa deve gerar aumento nos limites das concessões de crédito de até 20% para as solicitações que tenham características de sustentabilidade.
O BC acredita que o pilar de sustentabilidade vai trazer conscientização e formalizar a prestação de contas à sociedade sobre o tema ao reportar as ações e resultados dessas medidas.
O anúncio contou com as presenças do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de diretores do BC; de representantes da Organização das Nações Unidas; da gestora de recursos da Blackrock; da agência de classificação de riscos Moody´s; da Climate Bonds Initiative (CBI); da Organização Brasileira de Cooperativas (OCB) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).