Consulta pública busca opiniões do mercado sobre reduzir prazos de liquidação de D+2 para D+1 e alinhar o país às práticas internacionais
O Banco Central do Brasil abriu uma consulta pública para avaliar os custos e benefícios da redução dos prazos de liquidação das operações financeiras no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). A medida, formalizada por meio da Tomada de Subsídios nº 125/2025 no site oficial do BC, pretende aumentar a eficiência e a solidez do sistema, aproximando o país das práticas de mercados financeiros internacionais.
Atualmente, operações com ações, cotas de fundos e moedas estrangeiras são liquidadas em até dois dias úteis (D+2), enquanto ativos financeiros em geral seguem o prazo de D+1. A proposta em análise considera unificar o prazo em D+1, modelo já adotado em países como Estados Unidos, China, Índia, Canadá e México. Outras jurisdições, como União Europeia, Reino Unido e Austrália, também estão em processo de transição.
“Queremos ouvir o mercado para garantir que qualquer mudança nos prazos de liquidação seja segura, eficiente e compatível com a realidade das instituições”, afirmou Nilton José Schneider David, diretor de Política Monetária do Banco Central.
Segundo a autarquia, ciclos de liquidação mais curtos reduzem a exposição a riscos de crédito e liquidez, diminuindo a necessidade de garantias e margens — sem comprometer a segurança das câmaras de compensação. Por outro lado, a mudança exige maior eficiência operacional nos processos de pós-negociação, como alocação de operações para investidores não residentes, empréstimo de ativos e câmbio. Essas adaptações podem gerar custos adicionais e aumentar temporariamente o risco de falhas.
O edital da consulta reforça a importância do diálogo com o mercado para avaliar os impactos de uma eventual alteração normativa. A iniciativa está estruturada em 22 questões distribuídas em quatro blocos temáticos: pós-negociação, custos operacionais, benefícios esperados e impactos internacionais.
As contribuições podem ser enviadas até 30 de dezembro de 2025, pelo próprio site do Banco Central ou pelo portal Participa + Brasil.