Novo modelo do relatório grsac exige métricas padronizadas e entra em vigor a partir de janeiro de 2027
A Diretoria do Banco Central do Brasil (BC) aprovou uma reformulação no padrão de requerimento para o Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticas (Relatório GRSAC), documento exigido das instituições financeiras reguladas. A medida amplia os requisitos de transparência e padroniza a forma como bancos e demais entidades identificam, monitoram e gerenciam os riscos ligados às pautas ambientais, sociais e de governança (ESG).
O novo formato do relatório representa a segunda fase de aprimoramento desse arcabouço regulatório e integra a agenda estratégica da autoridade monetária. As novas regras passam a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2027, adotando um cronograma gradual de divulgação que levará em consideração o porte e o perfil de cada instituição.
Métricas padronizadas e comparabilidade de mercado
A principal inovação da diretriz é a inclusão de métricas e indicadores quantitativos padronizados, que passam a complementar as informações qualitativas já exigidas anteriormente. Essa padronização permitirá que investidores, analistas e clientes comparem de forma direta a gestão de riscos e compromissos socioambientais entre diferentes instituições do Sistema Financeiro Nacional.
Os novos critérios de divulgação abrangem múltiplos aspectos das agendas ESG e de riscos de sustentabilidade:
- Risco climático: Avaliação detalhada nas vertentes de risco físico e de risco de transição;
- Riscos sociais e ambientais: Métricas para monitoramento dos impactos e exposições das carteiras;
- Metas e compromissos: Padronização no reporte de metas corporativas e compromissos voluntários assumidos pelas instituições.
Alinhamento internacional e atratividade de investimentos
O desenvolvimento das novas normas foi baseado em referências internacionais, incluindo recomendações do Comitê de Basileia para Supervisão Bancária. A proposta também passou por um processo de consulta pública, que contou com a contribuição de entidades representativas, organizações da sociedade civil, instituições reguladas, pesquisadores e cidadãos.
Com o alinhamento aos padrões globais de sustentabilidade, o Banco Central visa fortalecer a disciplina de mercado e a estabilidade financeira no país. A ampliação do volume de dados estruturados busca ainda aumentar a atratividade do mercado brasileiro para investimentos responsáveis e reduzir custos de captação para o setor financeiro.