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Banking Anywhere: saneamento rumo à universalização

Percy Soares Neto, diretor executivo da Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindcon), fala sobre as oportunidades e os desafios trazidos pela transformação digital e pela possibilidade de integrar serviços financeiros a seus portfólios de forma cada vez mais simplificada
Por Ana Carolina Lahr
Segundo os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), até 2021 84% dos brasileiros tinham cobertura de água e apenas 56% estavam ligados à rede de esgoto. Considerado um serviço de utilidade pública (utility), até a chegada do Novo Marco Legal do Saneamento, em 2020, o serviço de saneamento básico no Brasil recebeu investimentos expressivamente menores que os registrados em outras áreas, fato que justifica o lento avanço nos serviços prestados. A partir do novo marco, porém, criou-se uma perspectiva positiva para o setor, já que entre as metas por ele estipuladas está a universalização dos serviços até o ano de 2033, garantindo que 99% da população do país tenha acesso à água potável e 90% ao tratamento e à coleta de esgoto.
Para chegar a esse resultado, o saneamento precisa, de fato, se tornar uma prioridade e receber mais investimentos. Um estudo do Instituto Trata Brasil com a GO Associados, publicado em julho deste ano, mostra que o valor investido precisaria mais que dobrar até 2033 para conseguir universalizar os serviços.
Apesar do alerta, o Panorama da Participação Privada no Saneamento 2022, elaborado pela Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindcon), destaca o papel das concessionárias privadas na transformação do setor e afirma que seu investimento vai além da universalização dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário.
Um desses focos estaria voltado para a mudança do relacionamento com os consumidores, o que tem transformado o “usuário” – coletivo – em “cliente” – com individualidades consideradas nas ações personalizadas para atender às necessidades de cada região. O posicionamento, segundo o documento, já resulta em melhorias de indicadores de gestão que incluem diminuição de perdas e ligações irregulares, queda no número de insatisfação e antecipação de manutenções emergenciais.

“Colocar o consumidor no centro das atenções significa, inicialmente, entender que há um enorme contingente de pessoas que ainda vivem sem o direito básico ao saneamento e que é preciso compreender a dinâmica e as particularidades de cada situação para melhor atendê-los.”

Percy Soares Neto, diretor executivo da Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindcon). Crédito: Arquivo
Percy Soares Neto, diretor executivo da entidade, destaca que ante o grande desafio de reduzir a desigualdade no cenário de saneamento no país, colocar o consumidor no centro das atenções significa, inicialmente, entender que há um enorme contingente de pessoas que ainda vivem sem o direito básico ao saneamento e que é preciso compreender a dinâmica e as particularidades de cada situação para melhor atendê-los. “Nosso país tem como maioria pessoas de baixa renda, um sem-número de mulheres que são chefes de família, uma população de maioria negra, de crianças que não encontram banheiro nas escolas e são submetidas a condições socioeconômicas marcadas pelo trabalho informal ou temporário. Essas são pessoas que querem e valorizam a dignidade proporcionada pelo saneamento básico”, reforça. 
Para aumentar o engajamento dos líderes comunitários e se aproximar das comunidades e realidades locais, uma das estratégias citadas pela Abcon Sindcon é a tentativa de despertar o sentimento de que as estruturas de saneamento pertencem às comunidades nas quais estão inseridas. Um dos caminhos, fortalecido pela transformação digital do setor, é a criação de canais de comunicação abertos e transparentes a fim de fazer as concessionárias serem vistas como aliadas na conquista de bem-estar e de cidadania.
Nesse contexto, o diretor olha para a possibilidade de aproximação com o setor financeiro como um passo adiante. “A partir do momento em que essas pessoas passam a acessar esses serviços – atendimento de água e/ou esgotamento sanitário –, passam a contar com as concessionárias em um novo contexto socioeconômico. Basta lembrar, como exemplo, que há inúmeros casos de gente que não tinha como comprovar endereço e, a partir do registro de uma ligação de água e esgoto, passa a contar, orgulhosamente, com um documento que será forte aliado na busca de emprego e crédito”, finaliza.
As oportunidades de negócios geradas no cross industry do mercado de seguros com o varejo é um dos temas abordados na trilha Banking Anywhere, da Cantarino Brasileiro. Alexandre Leal, diretor técnico e de estudos da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), falou sobre essa estreita relação e suas oportunidades em matéria para a revista digital. Clique aqui para baixar o material.

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