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Banking Anywhere: o varejo em busca do amadurecimento

Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), fala sobre as oportunidades e os desafios trazidos pela transformação digital e pela possibilidade de integrar serviços financeiros a seus portfólios de forma cada vez mais simplificada
Por Ana Carolina Lahr
O ano de 2022 foi considerado pelos varejistas um ano de “resiliência”. Enquanto parte das vendas represadas durante a pandemia foi recuperada, as incertezas econômicas seguidas pela alta da inflação e pela elevação das taxas de juros trouxeram novos entraves aos empresários. Apesar das adversidades, o setor continuou a crescer, conforme mostra o estudo “O Papel do Varejo na Economia Brasileira”, publicado este ano pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC): o varejo restrito (bens de consumo, exceto automóveis e materiais de construção) registrou uma expansão nominal de 7,7%, movimentando 2,14 trilhões de reais, o correspondente a 21,4% do PIB brasileiro.
Com tamanha expressividade na economia, não é de se questionar o fato de que passam pelo setor milhões de consumidores todos os dias e, com eles, oportunidades que têm muito a ver com os bancos.
Diante delas, o varejo se consolidou como o primeiro setor a se aproximar dos bancos para levar ofertas financeiras diretamente a seus clientes. O movimento aconteceu por volta dos anos 1990, quando o termo “fintech” ainda não existia, mas já era possível identificar as primeiras parcerias, por exemplo entre C&A e Bradesco.
Desde então, a relação entre os bancos e o varejo já passou por diversos momentos. Mais recentemente, o advento da tecnologia, a regulação e o surgimento do modelo de Banking as a Service (BaaS) são apontados como precursores da onda de “fintechzação” e contribuem para que o varejo incorpore ao negócio a infraestrutura bancária mais fácil. O momento pede uma reflexão sobre qual seria a melhor estratégia para agregar tais valores à cadeia, conforme afirma Eduardo Terra, presidente da SBVC.

“É um tema quente, importante e relevante, mas não maduro. Tem muita gente discutindo e experimentando, mas nós não temos grandes cases consagrados. Os dois caminhos são possíveis no varejo: há quem prefira atuar sozinho e quem opte pela parceria com o banco.”

Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). Crédito: arquivo
Ele destaca que existem alguns caminhos a serem superados, já que ao mesmo tempo em que o varejo ainda tem dificuldades para incorporar as competências e o mindset de “ser banco”, o histórico de parcerias com os bancos mostra que entender as necessidades desse segmento também exige uma “empatia” do outro lado, o que frequentemente não acontece. “Observamos muitos casos nos quais o banco entra na parceria, mas não faz a lição de casa de entender quem é esse público e quais são suas variáveis para oferecer um crédito condizente com o cenário”, avalia. Terra reforça que a lógica do crédito é diferente no varejo. “Se você não dá crédito, você não forma a carteira. Se você não forma a carteira, você não vende o resto e aí a mágica não acontece”.
O varejo aplica hoje diferentes modelos para integrar o setor financeiro a sua rotina. “Há o varejista que prefere atuar sozinho e o varejista que opta pela parceria com o banco – estando ele ou o outro no controle”, define Terra, lembrando que, com a tecnologia mais disponível, cada vez mais o varejo conquista autonomia para gerir suas operações de cunho financeiro. “Por outro lado, ao optar por esse caminho, é preciso dinheiro, o que compete com prioridades do negócio em si, como expandir a loja ou investir na transformação digital”, exemplifica.
Por isso, mesmo ante a expectativa de que o setor que há mais tempo alimenta relação com o sistema financeiro possa trazer “lições” para acelerar o desenvolvimento de outros setores que demonstrem interesse em adotar a estratégia, ele não hesita em concluir: “É um tema quente, importante e relevante, mas não maduro. Tem muita gente discutindo e experimentando, mas nós não temos grandes cases consagrados”, admite. “Os dois caminhos são possíveis no varejo. Você pode ter uma boa estratégia de sintetizar sozinho a necessidade, mas precisa tomar cuidado com os riscos. Por outro lado, você pode ter a estratégia de trazer uma financeira como parceira, mas deve tomar cuidado com a relação e com o contrato”, finaliza.
As oportunidades de negócios geradas no cross industry do mercado de seguros com o varejo é um dos temas abordados na trilha Banking Anywhere, da Cantarino Brasileiro. Alexandre Leal, diretor técnico e de estudos da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), falou sobre essa estreita relação e suas oportunidades em matéria para a revista digital. Clique aqui para baixar o material.

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