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Banking Anywhere: Agronegócio, uma locomotiva acelerada

Robinson Cannaval, representante do Comitê de Inovação da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), fala sobre as oportunidades e os desafios trazidos pela transformação digital e pela possibilidade de integrar serviços financeiros a seus portfólios de forma cada vez mais simplificada
por Ana Carolina Lahr
Não é preciso ir longe para entender por que o agronegócio é considerado hoje um setor muito importante no contexto da economia brasileira. A atividade agropecuária foi considerada uma das maiores responsáveis pelo avanço do produto interno bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre de 2023. Com um crescimento de 21,6% no período, a alta foi a maior desde 1996.
Os números são resultado de uma progressão que vem sendo construída pelo ecossistema com muito empenho e dedicação nas últimas décadas. “Passamos de um país importador de alimento para um país exportador. Isso só aconteceu porque soubemos conduzir o programa de inovação e nos tornar competitivos”, pondera Robinson Cannaval,  sócio e diretor de Qualidade e Relações Corporativas no Grupo Innovatech, membro da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e representante do seu Comitê de Inovação.
Ele destaca que há uma veia pujante que impulsiona toda a cadeia rumo à inovação e à atualização tecnológica. “O agronegócio já não sustenta aquela visão arcaica sobre o setor de trinta anos atrás. O empresário brasileiro do agronegócio está bem ávido pelas novidades e a tecnologia permite cada vez mais sua aproximação com outros setores”, analisa.
Considerando os mecanismos financeiros complementares à linha de produto principal na maioria dos setores da economia, Cannaval afirma que no agronegócio não é diferente. “Atrelar serviços financeiros ao negócio principal não é algo novo. A novidade é que a tecnologia está permitindo que isso aconteça de maneira mais fluida e fácil”.
O Congresso Brasileiro de Agronegócio 2023, realizado pela Abag no início de agosto, destacou três tendências nas quais o agro converge com o ecossistema. A primeira delas seria a tokenização da produção, estimulada pela blockchain. “Usar o ativo digital como forma de pagamento é um movimento que já pode ser observado na cadeia do café por aqui, embora ainda seja algo muito incipiente e novo. Vemos essa como uma forte tendência no contexto nacional”, destaca o conselheiro.

“O agronegócio já não sustenta aquela visão arcaica sobre o setor de trinta anos atrás. O empresário brasileiro do agronegócio está bem ávido pelas novidades e a tecnologia permite cada vez mais sua aproximação com outros setores.”

Robinson Cannaval, representante do Comitê de Inovação da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). Crédito: arquivo
Outra aposta são as soluções voltadas ao financiamento direto, sem a intermediação de um banco. A terceira tendência está relacionada à necessidade de novas linhas para o seguro rural. “Apesar doo Plano Safra ser importante, é o setor privado, por meio das fintechs e também dos bancos tradicionais, que está entendendo nossa pujança e trabalhando em soluções para tornar mais atrativa e mais fácil a aproximação do produtor e o sistema bancário, e vice-versa”, justifica Cannaval.
Ele lembra que uma das principais dores do setor agro beneficiada pela chegada das startups e fintechs diz respeito ao risco climático associado ao setor. “Elas começam a mensurar isso de maneira mais adequada para criar mecanismos de financiamento e de fluxo de caixa atrelados ao agronegócio, o que é muito valioso”.
Ainda no contexto da tecnologia, a popularização do Banking as a Service também é vista como oportunidade no agronegócio. A primeira empresa do setor a aderir à tecnologia para criar seu braço financeiro foi a Syngenta Proteção de Cultivos, que lançou, em abril, a conta digital Syde. Com ela, passou a ofertar uma série de serviços financeiros para produtores rurais, revendas de insumos e cooperativas agrícolas. 
“A parte financeira é um dos componentes de valor no agronegócio e iniciativas como essa mostram que há um desejo do mercado de se inserir melhor nesse ecossistema para suprir suas próprias necessidades”, avalia Cannaval. “Posso afirmar que é de interesse das empresas que compõem o ecossistema Abag investir em seus braços financeiros porque, às vezes, elas têm viabilidade econômica e não têm viabilidade financeira, sendo que é ela que vai fazer com que aquilo que tinha uma vantagem econômica possa, de fato, ser realizado”, finaliza.
As oportunidades de negócios geradas no cross industry do mercado de seguros com o varejo é um dos temas abordados na trilha Banking Anywhere, da Cantarino Brasileiro. Alexandre Leal, diretor técnico e de estudos da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), falou sobre essa estreita relação e suas oportunidades em matéria para a revista digital. Clique aqui para baixar o material.

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