Bancos trocam discurso por ação na transição verde

Diretora do Itaú afirma que o setor financeiro vive nova fase, marcada por metas concretas e resultados mensuráveis na agenda ESG

O setor financeiro brasileiro está saindo da fase de intenções e entrando em uma nova etapa: a da concretização. Conforme aponta a diretora de Sustentabilidade do Itaú Unibanco, “a transição verde ganhou contornos mais pragmáticos”, com instituições financeiras redefinindo papel, ferramentas e prioridades diante dos desafios climáticos.

Na avaliação da executiva, o discurso ambiental, social e de governança (ESG) dá lugar a uma agenda capaz de traduzir metas amplas em operações — e não apenas em promessas. Isso significa ajustar modelos de crédito, exigir dados mais robustos de clientes e incorporar o custo climático aos balanços. Segundo ela, “hoje já se observa uma resposta mais consolidada dos setores que antes não tinham estrutura para aderir a essas exigências”.

O Itaú, por sua vez, se comprometeu com a meta de mobilizar até R$ 1 trilhão em finanças sustentáveis até 2030, além de trabalhar para zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) até 2050, pautado nos escopos 1, 2 e 3, informou o jornal Valor Econômico.

A executiva enfatiza que o principal desafio não é mais convencer a causa da transição, mas viabilizá-la: “É preciso entender qual o momento e a necessidade do cliente para adotar as tecnologias que são possíveis”, diz ela — transformando o banco em “mais que um consultor, um parceiro” na construção de soluções sustentáveis.

Outro ponto que ganha destaque é o aprimoramento das metodologias de mensuração das emissões e o estabelecimento de curvas de descarbonização para setores intensivos em carbono como aço, cimento, transporte e agronegócio. A instituição relata que fez investimentos nos últimos 18 meses para desenvolver essa infraestrutura.

Apesar da aceleração, o banco admite que existem ainda desigualdades grandes no mercado: “Se hoje você chegar a uma empresa e pedir o seu inventário de emissões, terá uma resposta muito heterogênea: vai ter gente muito desenvolvida, vai ter gente num patamar inicial.”

Para o setor financeiro, isso representa duas frentes simultâneas:

  • Por um lado, ampliar o acesso a crédito e instrumentos financeiros que apoiem a transição — ou seja, tornar o “verde” um componente de risco, preço e oportunidade, não apenas de marketing.
  • Por outro, estruturar uma governança eficaz que garanta que os compromissos ambientais se traduzam em impacto real — e mensurável.

Em resumo: o que antes parecia ambição está se tornando ação concreta. E o que vinha como discurso ganha metodologia, retroalimentação de dados e centralidade no negócio bancário. O futuro, dizem, está menos em prometer e mais em atuar — com prazos, métricas e parceiros definidos.

A trajetória segue sendo desafiadora, mas a mensagem é clara: a era da transição verde “por design” está dando lugar à era da transição verde “por execução”.

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