Crédito de: @fernandomucci

Bancos e varejo discutem a importância do parcelado sem juros e BNPL já é visto com novos olhos

Com agenda do Pix Automática recém divulgada e parcelado com juros na pauta do Banco Central, os temas dominaram painel de meios de pagamento no Fórum Banking Anywhere
Por Ana Carolina Lahr
No início de outubro, a Cantarino Brasileiro realizou em São Paulo, o Fórum Banking Anywhere. Com o propósito de despertar a atenção dos tomadores de decisão para o potencial do cross industry com as instituições financeiras, os meios de pagamento foram  macrotema em um painel que mostrou sua grande relevância destacando dois recortes muito em alta no mercado: o parcelado sem juros do cartão de crédito e o Pix.
A conversa foi mediada pelo consultor Edson Santos, que usou da sua expertise em meios de pagamento para não apenas contextualizar a audiência, como levantar pontos de atenção sensíveis por parte dos participantes, instigando, assim, uma discussão aprofundada entre os painelistas – Fabiola Schmitz Sangalli, head de produtos financeiros da financeira Realize, do grupo Renner/Camicado; Renata Fargetti Rizzo, Superintendente Empréstimos, Seguros e Conta Digital do Banco Carrefour; e Jeferson Honorato, diretor do next.
Santos deu início ao painel levando à roda um tema tanto quanto polêmico na atualidade: o parcelado sem juros. “A gente sabe que o parcelado sem juros não existe. Antes da compra tem um juro embutido, porque o varejo, que precisa se financiar através desse parcelamento, embute esse custo no seu preço”, lembrou.
Apesar da incerteza sobre o modelo, que está em discussão no Banco Central, uma das premissas confirmadas por todos os participantes foi a sua importância, tanto para o varejo, quanto para as instituições bancárias.
“Aproximadamente 75% das transações parceladas no Brasil são feitas via parcelado sem juros. No varejo de moda esse número não é tão expressivo porque trabalhamos com um parcelamento a curto prazo, mas ele se torna mais relevante na linha branca, por exemplo”, apontou Sangalli, da Realize, destacando o papel do modelo na Lojas Renner, que desde 1973 oferece aos clientes o cartão de crédito para viabilizar a compra.
Rizzo reforçou que no Banco Carrefour, onde a penetração do cartão de crédito passa de 50% entre clientes, grande parte adere à opção do parcelamento sem juros, sem essa, inclusive, uma prática incentivada pelo banco. “Se a relevância do parcelado sem juros vai mudar na nossa estratégia, é o mercado quem vai ditar”, reforçou.
Para aprofundar a reflexão, o mediador lembrou que recentemente o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, questionou a simetria do parcelado sem juros, afirmando que quem dá o crédito (varejo), geralmente não é quem assume o risco (banco). “Mas, tem um outro lado, pois quem é que faz o funding no Brasil não é o banco, mas o varejo. Ele tem que pagar para o banco para receber à vista e pagar juros sobre isso. E o banco, que assume o risco deste crédito, também recebe uma taxa de intercâmbio diferenciada. Nós precisamos trazer todos esses elementos para discutir de maneira transparente e correta se o parcelado é bom ou ruim e como é que a gente deve olhar para ele”, provocou.
Defendendo as necessidades das instituições financeiras, Honorato confirmou que o parcelado sem juros é um instrumento de suma importância para todo o processo de estímulo e viabilização do consumo, mas não descartou a necessidade do modelo ser repensado. “A gente precisa buscar um modelo viável e sustentável para todo o ecossistema. Ele precisa estar nessa cadeia de discussão que está acontecendo sobre o rotativo”, reforçou.
Confira entrevista com Jeferson Honorato na série “Por Dentro do Fórum Banking Anywhere”

De olho no futuro

Caso as decisões do regulador desacelerem a evolução do Parcelado Sem Juros, os especialistas já miram um novo alvo. “Uma possibilidade está no Buy Now Pay Later (BNPL), uma ferramenta que está aí mas ainda é pouco explorada pela gente no Carrefour”, destacou Rizzo.
Na Realize, o modelo também se mostra como uma possibilidade. “Acredito muito que nesse tema, quem vai sair fortalecido é o arranjo fechado, que a gente chama de carnê ou private label”, opinou Sangalli, destacando que a Renner trabalha com o carnê há 50 anos. “Ele se tornou, com o avanço das tecnologias e meios de pagamento, o que hoje chamamos de Buy Now Pay Later. Como o varejo já financia isso, ele vai se auto financiar. Claro que varejos grandes saem na frente por já ter uma robustez já estruturada e possuir suas próprias financeiras. Os varejistas menores vão voltar a bater todos os seus carnês com clientes fiéis. É um momento em que o próprio formato do negócio vai se reorganizar”, opinou.
A modalidade de pagamento Buy Now Pay Later ganhou destaque país afora, e, de forma resumida, concede crédito instantaneamente no momento do checkout. Em 2021, ele representou 2,9% do valor global das transações no comércio eletrônico, mas sua projeção para o futuro demonstra uma tendência crescente, com previsão de 5,3% de participação até 2025, segundo relatório do The Global Payments Report 2022.
Estudioso sobre o tema, o mediador concluiu o primeiro bloco do painel com um resumo, e uma previsão.
“O parcelado sem juros do jeito que é hoje no Brasil, é importante e vai continuar existindo, mas todos os elementos dele, em conjunto com o restante do sistema de cartões, tem que ser olhado com transparência para se tomar uma decisão. Se alguém ‘matar’ o parcelado sem juros, o que eu acho que vai acontecer é que o varejo vai continuar dando crédito. Ele vai encontrar outra forma de dar crédito. Então, não existe o fim do parcelado, o que vai existir são outros modelos de parcelados que podem surgir”.

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Contextualização

Edson Santos introduziu o painel contando a história do Parcelado sem Juros no Brasil, um modelo muito particular do Brasil e com alta adesão. “Na América Latina, países como o Brasil, Argentina, Chile, México, que viveram décadas debaixo de uma instabilidade econômica ou política, acabaram criando um ambiente no qual o banco se afastou do consumidor. No Brasil, esse posicionamento deu espaço para que o varejo assumisse esse posicionamento e começasse a dar crédito para o consumidor, a partir da década de 70”, lembrou. “Nós sempre tivemos um sistema financeiro muito forte, muito bem estabelecido e o cheque pré-datado era uma forma muito simples do varejo conceder crédito. Na década de 90, porém, com a estabilização econômica a partir do plano real, as duas grandes credenciadoras do final da década de 90, perceberam que elas não concorriam entre si, mas concorriam contra cheque e dinheiro, e contra cheque pré-datado. Foi quando surgiu o parcelado sem juros, criado pelas credenciadoras para poder oferecer um serviço melhor para o lojista”, contextualizou.
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