Produtos dos bancos sendo distribuídos por parceiros e ofertas destes parceiros sendo distribuídas pelos bancos. Este é o cenário ideal para que todo o ecossistema financeiro consiga captar o potencial de benefícios criado pela implantação do open banking no país. O assunto foi debatido no Fintech VIew com painel intitulado “Open Banking: Como instituições bancárias, fintechs e outras companhias do setor financeiro podem integrar soluções”.
Para Tiago Aguiar, da Tecban, os dois lados podem ganhar muito se pensarem de forma compartilhada. Ele ressaltou que o sistema permitirá a ampliação da oferta de serviços financeiros. “Até momento, o banco produzia serviços que ele mesmo distribuía. A partir de agora poderá contar com uma distribuição muito mais ampla que vai gerar oportunidade de incluir muitas pessoas que estão fora do sistema”, disse.
Apesar dessa vantagem, Fred Amaral, do Dock chamou a atenção para a necessidade de se discutir alguns limites. “A política de crédito desenvolvida ao longo de vários anos é um diferencial competitivo das instituições, mas o open banking permitirá a portabilidade do crédito conquistado por esta empresa. O desafio é definir até onde é justo aplicar o open banking sem prejudicar o investimento do banco tradicional”, disse.
Com a experiência de quem já opera este sistema na Europa, Heloisa Sirotá, da Transferwise disse não saber até que ponto isso pode ser aberto, mas explicou que a regulamentação prevê que essa abertura pode ser cobrada.
Provocados pelo moderador Leo Cherman, da SimplyPag, os participantes do debate avaliaram o comportamento dos incumbentes diante das possibilidades trazidas por um mercado de open banking.
Neste sentido, Rafael Stark, do Stark Bank declarou que percebe uma apreensão vinda das instituições tradicionais explicitada em forma de declarações de preocupação sobre segurança e necessidade de grandes investimentos para se adaptar. “Na verdade, é preciso entender que o futuro não será só do open banking, mas será open em todas as áreas”, disse.