Estudo revela que instituições digitais ganham espaço no país e nubank consolida liderança isolada no mercado
A disputa pelo topo do sistema financeiro brasileiro entrou em uma nova fase, onde a tradição já não garante a fidelidade do cliente. De acordo com um levantamento recente realizado pela consultoria Okiar, os bancos digitais e as fintechs estão avançando rapidamente na conquista da chamada principalidade — o conceito que define qual instituição é escolhida pelo consumidor para centralizar suas movimentações financeiras, investimentos, pagamentos e pedidos de crédito. O estudo mostra que a participação das plataformas digitais como banco principal dos brasileiros saltou de 40% para 46%, enquanto os bancos tradicionais recuaram de 58% para 52%.
Domínio regional e avanço no Sul e Sudeste
A preferência pelos bancos digitais já redesenhou o mapa financeiro do país. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o modelo digital já empata ou supera as instituições tradicionais. No Norte, os digitais concentram 53% da principalidade, contra 47% dos bancões. No Nordeste e no Centro-Oeste, o cenário é de empate absoluto, com 50% de preferência para cada lado.
Embora o Sul e o Sudeste ainda mantenham a predominância das marcas tradicionais, a distância está encolhendo em ritmo acelerado. No Sudeste, a preferência pelos bancões caiu de 63% para 55% entre os períodos analisados. Movimento semelhante foi registrado no Sul, onde os bancos tradicionais viram sua liderança em principalidade recuar de 62% para 52%.
Nubank consolida liderança e Bradesco registra queda
No ranking geral de instituições, o Nubank reforçou sua posição de liderança isolada, expandindo sua fatia de principalidade de 21,7% para 24,4%. A fintech também se destacou ao liderar a preferência em todas as faixas sociais, da classe A à DE, e ao ocupar o topo da lembrança espontânea (awareness) dos consumidores, superando marcas históricas como o Banco do Brasil, Caixa e Bradesco.
O segundo lugar do ranking ficou com o Itaú, que registrou 12,7% de principalidade, seguido de perto pela Caixa Econômica Federal, com 11%. O Mercado Pago assumiu a quarta posição com 10%, empurrando o Banco do Brasil (7,8%) para o quinto lugar. Na contramão do crescimento digital, o Bradesco foi a instituição que apresentou a maior retração no levantamento, sofrendo uma queda acentuada ao passar de 12% para 7,4% de preferência como banco principal.
Mudança estrutural entre empreendedores e formais
O levantamento da Okiar também identificou uma divisão clara no perfil dos clientes. O avanço das plataformas digitais é majoritário entre os donos de negócios, empreendedores e profissionais liberais, segmento no qual as fintechs detêm 56% da principalidade. Por outro lado, as instituições tradicionais ainda encontram sua maior força de resistência entre os trabalhadores do mercado formal, mantendo 60% da preferência desse público, muitas vezes impulsionadas por contas-salário e parcerias corporativas.
Para Rafael Delgado, diretor da Okiar, as mudanças sugerem que a posição de banco principal está cada vez menos associada à permanência histórica das instituições e mais sujeita à dinâmica competitiva do mercado. Em nota oficial, o executivo apontou que a principalidade continua existindo, mas os fatores que definem o banco principal mudaram, sinalizando que a agilidade tecnológica e a experiência do usuário passaram a pesar mais do que o tamanho da rede física de agências.