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Bancões mudam estratégias com investida das fintechs

Por Edilma Rodrigues

A intensa movimentação no mercado financeiro e bancário – chegada de novos atores, reformulação de antigos e novos regulamentos – não é novidade para quem acompanha minimamente esse setor. Novas tecnologias, super aplicativos e o acirramento da concorrência, que traz consigo serviços financeiros mais baratos e até gratuitos, facilidades e renovação da experiência dos clientes é um dos mais significantes aspectos dessa verdadeira metamorfose bancária impulsionada pelas fintechs. Para se manterem relevantes, os grandes bancos brasileiros têm diversificado suas estratégias. Em entrevista ao Estadão Conteúdo esta semana, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou: “Tivemos de nos moldar à nova concorrência.”

O copresidente do conselho de administração do Itaú, Roberto Setubal, disse recentemente que a instituição admite possibilidade de queda de rentabilidade com aumento da competição e tenta mostrar a investidores que está pronta para competir com fintechs. A informação é da Folha de S. Paulo, que em outra matéria relata que o Santander entrou na disputa de pagamentos instantâneos entre pessoas e por QR-Codes, em uma resposta aos lançamentos de concorrentes, como o iti, do Itaú. Assim, o aplicativo Way, para gerenciamento dos cartões de clientes do banco, foi atualizado para agregar as novas funções.

De acordo com o relatório Banking Pulse Survey: Two Ways To Win da Accenture, até 15% da receita global de pagamentos dos bancos, o equivalente a US$ 280 bilhões, provavelmente serão deslocadas pelo crescimento dos pagamentos digitais e pela concorrência de instituições não bancárias, à medida que os pagamentos se tornarem mais instantâneos, invisíveis e gratuitos. O estudo constatou que a receita global de pagamentos provavelmente crescerá a uma taxa anual de 5,5%, de US$ 1,5 trilhão em 2019 para mais de US$ 2 trilhões até 2025. 

Uma das conclusões da pesquisa acentua a necessidade da adoção de novas estratégias pelas instituições tradicionais: “Somente bancos que transformarem seus modelos de negócios para adotar as mais recentes tecnologias e se concentrar em fornecer mais valor agregado em serviços para seus clientes capturarão uma fatia dos US$ 500 bilhões em crescimento adicional de receita.” 

Na entrevista ao Estadão, Lazari é contundente sobre a questão: “Os grandes bancos, que sempre trabalharam com alta rentabilidade, estão sendo obrigados a se reinventar.” E reitera: Tivemos de nos moldar à nova concorrência. Mas aquilo que não me mata, me fortalece. Antigamente eu acordava e sabia que meus concorrentes eram Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa. Mais ou menos sabia as armas que eles iriam usar. Agora, novos competidores podem surgir a qualquer momento, diz Lazari, ilustrando as mudanças do setor nos últimos quatro anos.

Com vistas à competitividade, o Bradesco lançou o Next, banco digital da instituição que iniciou suas operações voltado aos millenials (geração Y) e cobrando tarifas. Lazari assinala que Dentro da revolução digital do Bradesco, o movimento mais visível até agora foi a criação do banco digital Next. Mas, nesses tempos de adaptação a uma nova realidade do mercado, a estratégia do Next também precisou ser revista para fazer frente a rivais como o Nubank e o Inter.”

O Bradesco vai renovar a própria oferta digital pelo open banking. “Desenvolvemos a nossa plataforma de micro e pequeno empresário, que tem um \’chassi\’ de Bradesco, mas todos os serviços que estão lá – contratação de contador, controle de estoque, curso de gestão financeira, por exemplo – são terceirizados. Não saiu ainda a regulação do Banco Central, deve provavelmente sair em 2020,” afirma o executivo ao Estadão.

Vale mencionar que, se anteriormente serviços de pagamentos eram prestados por grandes emissores de grupos bancários e por uma cadeia tradicional de adquirentes, hoje, os pagamentos se flexibilizaram a tal ponto que praticamente qualquer empresa, de qualquer ramo de atividade, pode se tornar uma instituição de pagamentos, seja por meio de parceiras ou por uma solicitação formal ao BC para ser um “arranjo de pagamento.”

Ainda de acordo com Lazari, a Cielo nunca mais será aquela empresa que dava R$ 4 bilhões de resultado por ano, com 60% de geração de caixa. “Não existe mais isso. Com a abertura de mercado, o novo normal da Cielo será uma empresa de R$ 1,6 bilhão, R$ 1,7 bilhão de faturamento. Mas a estrutura do pagamento via cartão no Brasil está muito bem implementada, enraizada. Mas o Bradesco e a Cielo estão se antecipando com relação ao QR Code e ao pagamento via celular. A previsão é que 30% dos pagamentos nos próximos três anos serão feitos dessa forma.”

Recentemente, o Nubank, referência nessa transformação, foi avaliado em R$ 10 bilhões. Talvez por isso, Setubal do Itaú disse ter se “angustiado toda noite” pensando nos novos concorrentes dos bancos no mercado financeiro, as chamadas fintechs. Sobre sua iniciativa, a conta de pagamentos iti, a matéria da Folha informa que ela “dá um primeiro passo rumo aos pagamentos instantâneos, cujo modelo está em desenvolvimento com base em regras fixadas pelo Banco Central.”

Fontes: Estadão Conteúdo, Accenture e Folha de S. Paulo

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