Banco Pichincha encontra a combinação certa para inovar em serviços financeiros

Banco Pichincha encontra a combinação certa para inovar em serviços financeiros

Guillermo Poveda, chefe de inovação corporativa do Grupo Pichincha, fala sobre como a empresa cultivou fortes processos de inovação e colaboração entre os departamentos para a expandir e criar serviços

Efma: o papel inovador no setor bancário não é fácil – como você, pessoalmente, encara este desafio? E como sua instituição pensa a inovação com todos os desafios, ameaças e legados existentes?


G. Poveda: a inovação é um desafio complexo por si só. Tive a oportunidade de trabalhar em inovação nos últimos 18 anos. Quando se trata de inovação financeira, o desafio é ainda maior e tem mais exigências, devido às próprias características do setor, à cultura onipresente e aos desafios trazidos pelos novos players (tanto neobanks como fintechs), bem como pelos clientes. Para mim, significou buscar ainda mais conhecimento e experiências da vida real de colegas do setor financeiro. Conectar-me ao ecossistema, estudar casos em todo o mundo e compartilhar experiências me permitiu continuar impulsionando nossas equipes de inovação e nossos líderes C-Level.

Ao longo dos últimos dois anos e meio, liderando a estratégia de inovação do Grupo Pichincha, desenvolvemos um sólido sistema de inovação que inclui as empresas do grupo e o relacionamento com fintechs e insurtechs. Implementamos dez Gabinetes de Transformação e Inovação (TIO – Transformation and Innovation Offices) em todo o Grupo, que funcionam como uma equipe interna de consultoria que atende toda a empresa para implementar novos processos, produtos, serviços e uma visão e cultura que nos permite ser mais inovadores. E trabalham dentro dos limites existentes e das restrições naturais, com profundo conhecimento das oportunidades em nossos bancos, e também do mercado e dos ecossistemas. Embora sempre haja espaço para melhorias e crescimento, a inovação, hoje, faz parte de nossa estratégia e compromisso para melhor entender e atender as necessidades de nossos clientes atuais e futuros.

Efma: à medida que as instituições financeiras constroem sua agenda digital, é imperativo que encontrem a combinação certa entre cooperação com fintechs, laboratórios de inovações, programas abertos e processos internos. Como você trata esta questão no Pichincha? E como você vê essa evolução nos próximos anos – veremos mais inovação conectada aos bancos vindas de fora ou ela será construída dentro das instituições?

G. Poveda: acreditamos em uma mistura eficiente de inovação interna e externa em todo o Grupo. Se as startups, como fintechs e insurtechs, puderem acelerar nosso time-to-market em uma aliança favorável para ambos, buscaremos essas oportunidades. Isso não substitui a necessidade de inovação interna na busca pela ampliação dos horizontes de inovação, inclusive adjacentes. Nossos TIOs se concentram na inovação interna e na colaboração ativa com players externos. Investimos em dois laboratórios digitais dedicados dentro do Grupo (um para ofertas bancárias e outro para seguros) e buscaremos um empreendimento mais ousado na forma de um Laboratório de Inovação no futuro.

Efma: há uma clara tendência de as fintechs se tornarem os novos provedores de tecnologia digital para bancos, substituindo os atuais fornecedores de tecnologia. Você vê a mesma tendência em sua instituição? Como você acha que os departamentos de TI precisam evoluir para comporta isto?

G. Poveda: os provedores de tecnologia “tradicionais” construíram fortes relacionamentos dentro do sistema bancário no Equador. Eles têm a experiência e a infraestrutura para fornecer o nível de serviço exigido pelo nosso Grupo. No entanto, as fintechs se tornaram bastante relevantes para encontrar e solucionar necessidades muito específicas dentro de nossos negócios. Para ampliar nosso relacionamento com elas, criamos um processo de due diligence “fast track”, que nos permite trazê-las a bordo com prazos mais curtos e menos riscos. Além desse processo, implementamos uma mentalidade e um processo de experimentação para testar novas soluções, com um público menor, antes de dimensioná-las para o restante de nossos clientes. Este é mais um serviço prestado pelos nossos TIOs, que provou ser eficaz e bem-sucedido.

Efma: testar e fazer pilotos é uma coisa, trazer soluções inovadoras para o mercado é muito mais complexo. Qual é a sua experiência e opinião com base em como sua instituição oferece soluções? Na sua opinião, como as instituições financeiras podem ter sucesso em trazer inovação real para o core business?

G. Poveda: o maior desafio é entender qual área vai liderar o esforço de scale-up dentro do banco e como isso ocorrerá sem perder velocidade e foco. Isso requer fortes processos de entrega de inovação e colaboração entre departamentos, que representam oportunidades de melhoria em qualquer instituição financeira tradicional. Acredito que todas as áreas de um banco precisam se comprometer a buscar inovação e colaboração para um bem maior, uma vez que os silos são quebrados de forma recorrente; trazendo inovação para o cliente gerando menos atrito dentro do banco.

Efma: em que áreas você acha que veremos a inovação mais rápida aplicada aos serviços convencionais? Revenda? Comercial? PME? Banco privado? E por quê?

G. Poveda:
o Grupo Pichincha se concentra principalmente em nossas operações na América Latina, onde vemos novas ofertas fortes de serviços relacionados à bancarização por meio de fintechs e bancos digitais:

• Os pagamentos (locais e internacionais) representam um grande impulsionador para a inovação atualmente e isto vai continuar a crescer rapidamente. Em uma região onde as taxas de bancarização ainda estão abaixo de 50%, as soluções de pagamento estão se tornando a melhor abordagem para trazer mais pessoas para o sistema financeiro.

• Banco para PMEs (ou seja, soluções de empréstimos) também é um nicho de rápido crescimento, uma vez que o tecido econômico da América Latina é principalmente comprometido com as PMEs, e tem sido tradicionalmente um segmento mal atendido.

• O investimento sustentável também é uma necessidade futura que vai experimentar um rápido crescimento nos próximos anos, uma vez que os clientes se tornaram mais conscientes em relação a soluções sociais e sustentáveis.

Tradução e adaptação: Edilma Rodrigues

Fonte: Efma

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