O Banco Inter vai entrar na disputa das maquininhas, mas sem usar dispositivos de PoS tradicionais. A maquininha será o próprio celular dos micro e pequenos empreendedores. A ideia é lançar o serviço entre o fim deste ano e início de 2020, informou o presidente do banco, João Vítor Menin, em teleconferência na qual o portal Exame participou. “O Inter está estudando se vale mais a pena buscar o aval da Banco Central para atuar como credenciadora de cartões ou se será mais rápido fazer uma parceria com uma instituição que já tenha a licença,” assinala a matéria publicada nesta terça-feira (13).
Para utilizar o serviço, é preciso baixar o app do Inter e a cada transação, inserir os dados da compra, como o valor e se a operação vai ser no débito ou no crédito. Depois, posicionar o cartão do cliente – desde que ele tenha comunicação por aproximação (NFC) embarcada – em frente à câmera para que a transação seja realizada.
A iniciativa faz parte do plano da empresa para atrair pessoas jurídicas. “Focamos muito na pessoa física para ganhar fatia de mercado, com a plataforma de investimento PAI, com a plataforma de seguros e com o super aplicativo. Há cerca de seis meses, passamos a nos dedicar também a pequenos comerciantes. Isso vai trazer mais correntistas e uma monetização importante. Se o correntista tinha vida dura, acho que o pequeno empreendedor tem uma vida mais dura ainda,” explica Menin.
Atualmente, o Inter conquista mais de 10 mil correntistas a cada dia útil e, no segundo trimestre, o banco registrou 2,5 milhões de clientes. “Colocamos de pé um processo mais eficiente de banco de varejo”, define Menin. Tanto é que o fundo de investimentos japonês Softbank viu no Inter uma boa oportunidade. Por isso, adquiriu o equivalente a 8% do capital do banco por 760 milhões de reais. “Convidamos o Softbank para ter assento no conselho, porque queremos ter integração não só no nível executivo, mas também no conselho. Do nosso lado, queremos usufruir desse smart money (dinheiro mais conhecimento), enquanto eles querem que o banco seja uma peça importante para outras empresas do ecossistema. Acho que teremos muita coisa para colher daqui para frente”, acrescenta.
A entrada do Softbank se deu durante uma oferta subsequente de ações (chamada de follow-on) que alcançou 1,3 bilhão de reais. Com essa operação, o Inter passou a ter quase 90 mil investidores. “Concluímos a oferta com muito sucesso e apresentamos o maior lucro trimestral da história do banco, com 33 milhões de reais.”
No terceiro trimestre, o banco deve fazer uma segunda rodada de conversão de duas ações ordinárias e uma preferencial em unit. “Vamos ter mais uma janela de conversão de units no mesmo modelo da primeira para concentrar liquidez no BID11. Com isso, podemos passar a compor o principal índice Bovespa (Ibovespa)”, informou a superintendente de relações com investidores do Inter, Helena Caldeira, à Exame.
Fonte: Exame