Banco do futuro: por que empresas de outros setores estão de olho na oferta de serviços bancários

por Carlos Eduardo Benitez é CEO da BMP
Há cerca de 30 anos, as pessoas que precisavam pagar uma conta ou transferir dinheiro eram obrigadas a sair de casa, se dirigir fisicamente ao banco e ainda enfrentar uma fila enorme. A internet mudou completamente esse cenário e as novidades no setor bancário não pararam de chegar.  A digitalização abriu diversas oportunidades e uma das mais inovadoras é o Banking as a Service (BaaS), que permite a ‘bancarização’ de qualquer empresa.
Para os empresários, surge a dúvida: por que seria interessante para o meu negócio oferecer serviços bancários aos meus clientes? Entre os argumentos, um dos mais atrativos é o mercado. Em 2022, a tecnologia já movimentava US$ 35 bilhões no mundo. 
A América do Norte ficou à frente das demais regiões do planeta, com pouco mais de US$ 15 bi, seguida pela Europa, com US$ 8,7 bilhões. O Brasil, no mesmo ano, movimentou US$ 2,3 bilhões, o que representou 73% de todas as operações da América do Sul.
Em termos de mercado, esses números ainda são “irrisórios”, diante das projeções para um futuro próximo. Em 2030, as transações via BaaS no mundo devem chegar a US$ 291,4 bilhões com taxas de crescimento acima de 30% em todos os continentes. Portanto, a empresa que se ‘bancarizar’ agora, pode aproveitar a evolução da digitalização dos serviços bancários, como, por exemplo, a abertura de contas digitais, que deve alcançar mais de 2 bilhões de novos usuários nos próximos seis anos.
Outro importante argumento é a segurança garantida pela tecnologia blockchain. É ela que permite o que especialistas estão chamando de ‘tokenização’ dos bancos e abre diversas oportunidades quando somada ao BaaS. O uso desta tecnologia deve se tornar cada vez mais popular nos próximos anos e, muito em breve, tanto empresas como consumidores finais usufruirão de suas vantagens.
O desenvolvimento de ferramentas digitais pelo Banco Central (BC) cria um ambiente de segurança para quem aspira iniciar um negócio no setor. O Open Finance que passou para o correntista o controle dos seus próprios dados, segue em evolução no BC e, segundo o órgão regulador, receberá em 2024 atualizações tanto na parte de integração como de segurança.
A tendência com esses avanços tecnológicos é que o consumidor final poderá manter, sem dificuldades ou burocracia, relacionamentos com diversas organizações de serviços bancários. A consequência será o aumento da demanda por novas marcas e serviços personalizados, criando “nichos” de atendimento que podem ser aproveitados por empresas que já mantêm um relacionamento estreito com seus clientes.
Para se bancarizar, uma empresa precisa ter um conhecimento de seus clientes, capilaridade e uma ideia clara de onde investir em um primeiro momento. Essa estrutura, no entanto, já está bem madura em diversas organizações brasileiras, inclusive em regiões fora do eixo Rio-São Paulo, que ainda não enxergam o setor bancário como uma alternativa de negócios. Talvez, devessem começar a enxergar. 

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