Relatório do BTG Pactual indica que lucro líquido da estatal deve ficar até 30% abaixo das expectativas do mercado
O Banco do Brasil (BBAS3) deve apresentar um desempenho financeiro abaixo do esperado para o primeiro trimestre de 2026, sinalizando um período de transição desafiador. Segundo relatório divulgado pelo BTG Pactual nesta semana, a projeção é de que o lucro líquido da instituição financeira fique entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões, um montante que representa uma queda significativa em relação aos R$ 5,7 bilhões registrados no último trimestre de 2025. “Acreditamos que a magnitude da queda sequencial no lucro e no retorno sobre o patrimônio (ROE) em relação ao quarto trimestre pode surpreender negativamente”, afirmaram os analistas Eduardo Rosman e equipe.
Fatores de pressão nos resultados
A análise aponta que o principal detrator do balanço será o aumento das provisões para devedores duvidosos (PCLD), as reservas que os bancos mantêm para cobrir eventuais calotes. O setor de agronegócio, historicamente um dos pilares de força do Banco do Brasil, tem demonstrado sinais de deterioração devido à alta nos custos de insumos, como o diesel, e às oscilações cambiais. De acordo com o BTG, as provisões devem permanecer em níveis elevados, superando a média trimestral implícita no guidance anual da companhia.
Além do custo de crédito, a margem financeira (NII) — que mede o ganho do banco com operações de crédito descontando o custo de captação — também deve sofrer retração. Os analistas observam que o início de 2026 está sendo marcado por um crescimento mais moderado das operações, o que, somado a uma base de comparação inflada por efeitos tributários positivos no fim do ano passado, torna o cenário atual menos favorável.
Impacto nas ações e recomendações
A reação do mercado foi imediata após a divulgação das perspectivas. As ações BBAS3 registraram quedas recentes na Bolsa de Valores, refletindo a cautela dos investidores quanto à capacidade do banco de atingir o piso de sua meta anual de lucro, estabelecida entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. O BTG Pactual reiterou sua recomendação “neutra” para os papéis da estatal, citando que o nível atual de valuation não compensa os riscos crescentes de frustração.
Com o balanço oficial previsto para ser divulgado no dia 13 de maio, o mercado aguarda para confirmar se a instituição conseguirá implementar medidas de contenção de custos e melhora na qualidade dos ativos ao longo do ano.