Medida atinge oitava instituição ligada ao caso Master e abre conta de R$ 4,9 bilhões para pagamento do FGC em 2026
O Banco Central (BC) decretou, na última quarta-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), intensificando a crise que atinge instituições ligadas ao antigo conglomerado Master. A decisão, assinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, foi motivada pelo grave comprometimento da situação patrimonial e pela insolvência financeira das entidades, resultando na paralisação imediata das atividades e na indisponibilidade dos bens de seus controladores e administradores. O ato reflete a deterioração irreversível da liquidez das instituições, que não conseguiram honrar compromissos de curtíssimo prazo nos últimos dias.
“A existência de graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição” foi um dos pontos cruciais destacados pelo Banco Central para justificar a intervenção. Segundo o órgão regulador, o Banco Pleno — que tem origem no antigo Banco Voiter — vinha sendo monitorado diariamente, mas o agravamento do quadro financeiro tornou a liquidação a única alternativa para preservar a integridade do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Conexão com o caso Master
O Banco Pleno pertencia ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Embora o Pleno tenha sido vendido em 2025 e não integrasse formalmente o grupo Master no momento da quebra, ele é a oitava instituição com ligações históricas ao conglomerado a sofrer intervenção ou liquidação desde novembro de 2025. Investigações apontam que a instituição era utilizada em operações complexas que ocultavam prejuízos e inflavam ativos, contribuindo para um rombo estimado em bilhões de reais.
“O comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade” foram os pilares que sustentaram o decreto do BC. O banco detinha cerca de 0,04% dos ativos totais do sistema financeiro, o que, apesar de representar um porte pequeno, exige uma saída organizada para evitar danos aos depositantes.
Garantias aos correntistas e o papel do FGC
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir aproximadamente 160 mil clientes que possuem depósitos ou investimentos na instituição. O volume de recursos elegíveis para cobertura chega a R$ 4,9 bilhões, sendo que cada investidor tem direito a receber até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O pagamento será processado de forma digital, e o FGC já orientou os clientes a realizarem o cadastro básico no aplicativo oficial da entidade.
“O pagamento das garantias começará tão logo o liquidante informe os valores e os dados dos credores”, informou o FGC em nota oficial. Enquanto o processo de levantamento de ativos é conduzido pelo liquidante nomeado pelo BC, todas as operações de saque e transferência do Banco Pleno permanecem bloqueadas. A medida reafirma o rigor das autoridades em 2026 para expurgar instituições insolventes e garantir que as fraudes no setor financeiro não contaminem a confiança do mercado global no Brasil.