As mulheres se impõem no ecossistema fintech

Numa pesquisa recente que apresentava os principais heads de fintechs não foi citado o nome de nenhuma mulher. Outro estudo que mostra os investimentos feitos em startups revela que apenas 10% se dirigiram a iniciativas cujos líderes são do sexo feminino. Estas informações pontuais e outras observadas no relacionamento do dia-a-dia foram citadas como as grandes dificuldades pelas participantes do painel “Empoderamento Feminino – Os desafios das mulheres empreendedoras”, realizado quarta-feira (26) no congresso Fintech View.

A coordenadora do debate, Rosine Kadamani, Co-fundadora da Original My e Blockchain Academy, iniciou os trabalhos apresentando um vídeo no qual pessoas comuns demonstraram muita dificuldade em identificar uma mulher como a pessoa mais competente em um hospital. Segundo ela, este comportamento cultural também ocorre no ecossistema fintech.

Marcela Miranda, da Trigg, afirmou que percebe uma diferença no tratamento do interlocutores. “No meu caso, por exemplo, eu sinto isso em algumas reuniões. Como o meu sócio é homem eu muitas vezes preciso gastar muita energia para que os interlocutores falem comigo no momento das negociações”, disse.

Por sua vez, Stephanie Fleury Rassi, do Dindin, afirma reconhecer que ao entrar no ambiente fintech as mulheres estão entrando em dois mundos extremamente dominados por homens, que são a tecnologia e as finanças. “Neste ambiente existe preconceito até mesmo de homem para homem. Eles preferem falar com os mais experientes, os chamados barbas brancas do que com os mais jovens”, disse.

Ela revelou que em uma ocasião chegou a usar um barba branca para conseguir o objetivo desejado. “Eu percebi que não obteria a credibilidade necessária sendo uma mulher. Chamei um barba branca. Dei toda a instrução sobre a mensagem que eu queria passar. Ele falou tudo do jeito que eu queria e o negócio foi fechado”, declarou.

Usando como exemplo o prêmio ganho pela Kickante no exterior em uma iniciativa dedicada justamente a reconhecer o trabalho das mulheres, Viviane Sedola, sócia da empresa, afirmou que em algumas partes do mundo há muito preconceito. “Algumas juradas do oriente médio assumiram que seus conceitos para os cases foram dados muito mais com base na postura da mulher em seus relacionamentos do que em função dos resultados alcançados por suas organizações”, disse.

Miranda ressaltou que a geração atual ainda consegue lidar mais tranquilamente com este tipo de preconceito e até usar um barba branca para dar prosseguimento nos negócios, mas a nova geração que está chegando ao mercado de trabalho promete brigar mais por igualdade de tratamento.

No final dos trabalhos, Rosine apresentou um conjunto de dicas para posicionamentos que combatem as dificuldades no dia-a-dia. “Procurem olhar para as mulheres nas reuniões. Verifiquem se elas têm espaço para se expressar nas suas empresas. Cuide para que a competência delas seja destacada e não outros fatores como o charme, a beleza etc, Busquem entender como as características femininas podem contribuir no desenvolvimento de projetos. Desta forma começamos a mudar esta relação sem precisar gerar grandes atritos”, concluiu.

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