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AI ajuda no combate ao trabalho escravo

De acordo com o Índice Global da Escravidão, elaborado pela Walk Free Foundation, atualmente existem cerca de 40,3 milhões de vítimas da escravidão moderna no mundo, sendo 24,9 milhões em trabalhos forçados e 15,4 milhões em casamentos forçados. No Brasil, a estimativa é de 161.100 pessoas vivendo em regime de escravidão.

Os primeiros resultados da pesquisa foram publicados no início do mês no periódico “Photogrammetry and Remote Sensing”.  Neste primeiro estudo, os cientistas focaram no “cinturão do tijolo”, uma área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados que se estende pelo Paquistão, Índia, Nepal e Bangladesh. As imagens analisadas são públicas, fornecidas pelo Google Earth. Para identificar cada uma das mais de 50 mil estruturas, os pesquisadores “ensinaram” um sistema de inteligência artificial com imagens padrão dos fornos.

O projeto foi idealizado por Dorren Boyd, pesquisador da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, para ajudar pesquisadores e ativistas no combate à escravidão moderna. Ele usou imagens de satélite para identificar locais suspeitos de exploração do trabalho escravo e um sistema de inteligência artificial que mapeou 55.387 fornos para a produção de tijolos no Paquistão, Índia, Nepal e Bangladesh, indústria conhecida pelo emprego mão de obra forçada e infantil. O estudo deve avançar para localizar outras estruturas relacionadas com o trabalho escravo, que vão incluir os campos de carvão no Brasil.

“Os fornos de tijolos no Paquistão que eu olhei, e locais como os campos carvoeiros no Brasil, são tão grandes e com padrões únicos, que percebi que poderiam ser vistos do espaço” contou Boyd ao jornal britânico “The Guardian”.  Ele contou que chegou a conversar com o Google, mas sempre foi uma questão de dinheiro. “Quando vim para Nottingham, há dois anos, eles disseram: agora você tem um instituto geoespacial com pessoas que trabalharam para a agência espacial britânica”, lembra.

Entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável estipulados pela ONU está a meta de “erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e o tráfico de pessoas e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil” até 2030. Para isso, dizem os pesquisadores, são necessários dados confiáveis sobre a localização das atividades que exploram o trabalho escravo.

“É normalmente uma oferta de trabalho. Dizem a imigrantes que eles podem viver e trabalhar, e que a alimentação será fornecida e eles recebem um adiantamento”, explicou Boyd, sobre o funcionamento dos fornos. “Mas quando chegam ao local, encontram alguns bandidos que mantém o controle físico completo. As crianças trabalham nos fornos”.

Além das imagens de satélite, o pesquisador vislumbra o uso de outros dados satelitais, como análises espectroscópicas, que possam detectar os locais de minas de ouro ilegais, pelo rastreamento da contaminação de rios por mercúrio. Para Jakub Sobik, da organização Anti-Slavery Global, a identificação das indústrias associadas à escravidão moderna a partir do espaço é útil para informar governos sobre campos desconhecidos.

*Com informações do jornal O Globo

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