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A proteção de dados na era das startups

Por Jhonata Emerick*

Que o Brasil tem muitas ineficiências isso não é novidade, porém elas são grandes oportunidades, por exemplo, para os empreendedores que montam startups com foco em resolver os problemas estruturais que existem no mercado e conseguem obter tração e chamar atenção da indústria global de capital de risco.

Pra se ter uma ideia do potencial das startups no Brasil, só no ano passado elas receberam US$ 859 milhões em aportes financeiros, o equivalente a 45,4% dos investimentos em novas empresas na América Latina, segundo a Associação Latino-Americana de Private Equity e Venture Capital (Lavca). De acordo com a ABStartups, o avanço das startups no Brasil é ainda maior quando vemos que, em 2018, o país ganhou seus primeiros unicórnios, termo dado às startups que passam a valer mais de US$ 1 bilhão. Esse é um mercado que vem passando por um amadurecimento constante e deve aquecer as turbinas da economia do Brasil.

No mês passado o presidente, Michel Temer, sancionou a lei de proteção de dados pessoais – PLC 53/2018, e com isso um novo ingrediente entra nessa equação, pois do ponto de vista material, a nova legislação se aplica a qualquer pessoa – natural ou jurídica que realize tratamento de dados pessoais, ou seja, exerça atividade em que se utilizem dados pessoais (coleta, armazenamento, compartilhamento, etc.), inclusive nos meios digitais.

Vale citar que a nova lei é muito importante para o Brasil, um mercado que se acostumou a vender dados de forma indiscriminada. Em um mercado digital onde cada vez mais a experiência do usuário se torna customizada levando em conta as características do indivíduo, surge uma pergunta: a automatização que permite melhorar a eficiência consegue ser incompatível com a proteção de dados? Uma estatística que explica o ecossistema de startups no Brasil é que cerca de 74% dessas empresas fecham após cinco anos e 18% antes mesmo de completar dois anos, segundo pesquisa da Startup Farm.

Em um momento em que setores da economia precisam ganhar eficiência para lidar com receitas em queda e com seus modelos de negócio sendo constantemente questionados, ganham espaços as empresas inovadoras, enxutas e com uma boa capacidade de execução. Acredito que as startups são uma peça chave para o crescimento do Brasil. Startupeiros uni-vos!

*Jhonata Emerick é sócio da Datarisk – jer@datarisk.io

Artigo publicado pelo jornal DCI, em 16 de outubro de 2018

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